EUA se posicionam no Golfo Pérsico em sinal de alerta ao Irã

Movimentações são parte de esforço para reforçar presença militar americana na região e tranquilizar Israel diante de ameaça iraniana

The New York Times |

Os Estados Unidos posicionaram discretamente importantes reforços militares no Golfo Pérsico para impedir o Exército iraniano de qualquer tentativa de fechar o Estreito de Ormuz e aumentar o número de caças capazes de atacar o Irã com mais facilidade caso o impasse sobre seu programa nuclear piore.

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As implantações fazem parte de um esforço planejado para reforçar a presença militar dos EUA na região do Golfo, em parte para tranquilizar Israel. De acordo com um comentário feito por um oficial de alto escalão do governo na semana passada: "Quando o presidente diz que existem outras opções sendo consideradas além das negociações, ele realmente está falando sério."

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Foto de satélite mostra Estreito de Ormuz, passagem vital para a região que é objeto de disputa

Mas em um momento que os EUA e seus aliados estão começando a impor um embargo mais amplo sobre as exportações de petróleo do Irã , destinado a obrigar o país a levar a sério as negociações sobre limitar seu programa nuclear, o posicionamento dos navios acarreta riscos significativos, inclusive a possibilidade de a poderosa Guarda Revolucionária do Irã decidir atacar bases americanas na região.

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Os elementos mais visíveis dessa estratégia militar são os navios da Marinha americana que foram posicionados para melhorar sua capacidade de patrulhar o Estreito de Ormuz - e reabrir o canal, caso o Irã tente fechá-lo para evitar que a Arábia Saudita e outros exportadores de petróleo possam atravessar seus navios através da passagem essencial na região.

A Marinha dobrou o número de navios distribuídos na região para oito, no que os militares descrevem como um movimento puramente defensivo.

'Duas vias'

Para o presidente americano, Barack Obama, a combinação de negociações, novas sanções destinadas a atingir a receita de petróleo do Irã e a pressão militar crescente são as mais novas - e talvez a mais vitais - provas do que a Casa Branca chama de uma política de “duas vias” contra o Irã. No meio de uma campanha eleitoral em que seu adversário, Mitt Romney, o acusou de ser "fraco" ao lidar com a questão nuclear iraniana, Obama pretende projetar tenacidade sem necessariamente desencadear uma crise na região.

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"A mensagem que estamos passando para o Irã é: 'Nem pensem nisso'", disse um oficial de alto escalão do Departamento de Defesa americano. "'Nem pensem em fechar o estreito. Vamos tirar todas minas da região. Nem pensem em enviar seus barcos rápidos para para perseguir nossos navios ou os navios de transporte comercial, ou nós iremos afundá-los." Assim como outros entrevistados, o oficial falou sob condição de anonimato devido à delicadeza da situação diplomática e militar.

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Base aérea americana Abraham Lincoln no Golfo Pérsico (foto de arquivo)

*Por Thom Shanker, Eric Shmitt e David E. Sanger

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