Caso de estupro no Afeganistão coloca polícia local em evidência

Ex-policial se defende de acusações de estupro ao argumentar que relação aconteceu depois de ter sido feito o contrato de casamento

The New York Times |

O policial falava com calma e segurança enquanto insistia que não poderia ter estuprado a filha adolescente de um pastor local, pois havia se casado com ela antes das relações sexuais.

Minorias: Preocupações sobre direito das mulheres e tensões étnicas crescem no país

"Uma vez que o contrato do casamento é feito, a relação sexual não é considerada estupro", disse Khodaidad, 42 anos, que até ter sido detido no caso, havia trabalhado para a polícia local treinada pelas forças americanas. 

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Khodaidad (E) e seu irmão, Ghulam Sakhi, acusados de estupro contra garota afegã em Kunduz

Seu irmão Ghulam Sakhi, acusado pela jovem mulher de participar de seu sequestro, sentou ao lado de Khodaidad no chão de uma sala de recepção pequena na cadeia da província de Kunduz. Ele também apoiou a ideia de que: "Na cultura pashtun, as meninas não têm o direito de dizer com quem se casarão ou se não querem se casar. Elas devem se casar com quem seus pais escolherem para elas."

Nenhum dos dois homens foram formalmente acusados e ambos negam o sequestro e as alegações de estupro.

Os promotores, membros da família e grupos de direitos humanos discordam com a descrição dos suspeitos sobre o que aconteceu com a jovem Lal Bibi. Segundo eles, há pouca dúvida de que ela foi sequestrada e estuprada e que não houve casamento.

Eles também desafiam a ideia de que qualquer casamento em tais circunstâncias pode ser legítimo ou até mesmo isentar o estupro. O casamento forçado é ilegal na lei afegã, disse o general Mohammed Sharif Safi, promotor militar em Kunduz.

Entrevistas com mais de uma dúzia de pessoas ligadas ao caso sugerem que muito mais está em jogo do que o destino da filha de 18 anos de idade de um pastor. Sua situação ressalta a persistência do costume tribal, a fragilidade da proteção recém-legislada para as mulheres e o poder de homens armados.

Safi disse que ter lidado com muitos casos, mas que esse reafirmou a sua "posição contra os maus-tratos com as mulheres."

Referindo-se a muitos dos projetos financiados pela comunidade internacional em defesa da mulher, acrescentou: "Eu percebi que mesmo com todo esse dinheiro que gastaram para melhorar a situação das mulheres, ainda existem muitas que são maltratadas todos os dias e cuja condição de vida não tem melhorado quase nada."

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La Bibi (C), que acusou policial e irmão de estupro, ao lado de seus parentes

*Por Alissa J. Rubin

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