Republicanos se armam para batalha contra a reforma da saúde nos EUA

Partidários de Mitt Romney se esforçam para campanha contra lei que obriga americanos a comprar seguro-saúde, conhecida como ObamaCare e mantida pela Suprema Corte

The New York Times | - Atualizada às

Mitt Romney e outros opositores à lei da saúde que foi confirmada pela Suprema Corte na quinta-feira, dia 28 de junho, agora estão se voltando para seu último recurso: as urnas, em novembro.

EUA:  Suprema Corte mantém reforma de saúde de Obama

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Romney prometeu revogar decisão da corte e proposta para saúde de Obama (28/6)

Surpresos com a decisão da corte, Romney e outros republicanos rapidamente se comprometeram a continuar com a tentativa de revogar a lei e responsabilizar os democratas por ela, uma estratégia que os conservadores acreditam que ajudará a incentivar seus eleitores no outono. Mas uma votação de revogação na Câmara, que o líder da maioria Eric Cantor marcou para o dia 11 de julho é meramente simbólica, já que o verdadeiro debate deverá ocorrer durante os últimos quatro meses de campanha eleitoral.

A vitória foi essencial para a Casa Branca, pelo menos por enquanto. Ao vencer no tribunal, o presidente americano, Barack Obama, evitou ser estigmatizado como um líder fraco e fracassado que investiu muito tempo e capital político tentando reformular o sistema nacional de saúde enquanto a economia afundava. É um momento que fornece um novo impulso de energia para sua campanha de reeleição no final de um mês que foi de certa forma frustrante para o presidente, que está engajado em uma disputa acirrada contra Romney.

Mas o triunfo de Obama não será necessariamente duradouro. O presidente agora enfrenta o desafio de tentar expor os méritos da lei de saúde novamente no tribunal da opinião pública, mesmo enquanto Romney e os republicanos fazem sua promessa de revogar a medida. Ele afirmava ter usado seu discurso na Sala Leste duas horas depois de a decisão do tribunal ter sido anunciada para explicar o que a lei faz e quais seus benefícios para os americanos, algo que mesmo alguns de seus partidários disseram que ele não tinha conseguido fazer de forma eficaz após a aprovação da lei, mais de dois anos atrás.

"Seja qual for a política por trás disso tudo, a decisão de hoje foi uma vitória para todos os cidadãos deste país, que terão vidas mais seguras por causa dela", disse Obama em um discurso transmitido ao vivo pelas redes de televisão americanas. "Deveria estar bem claro que eu não fiz isso porque era apenas política", disse Obama em sua breve declaração, determinando que os democratas não se gabassem sobre o resultado.

E acrescentou: "É hora de seguir em frente. Agora é a hora de manter o foco no desafio mais urgente de nosso país: colocar as pessoas de volta ao trabalho".

Opinião pública

Embora a opinião pública sobre a lei da saúde tenha ficado praticamente estagnada desde que o presidente a assinou, a decisão da Suprema Corte pode trazer uma mudança na opinião pública entre os eleitores independentes, dar a Obama uma segunda chance para convencer os eleitores da prudência da lei na solução de um problema atual e criar um certo tipo de estrutura que permitirá que os eleitores enxerguem de maneira diferente. A dificuldade será Romney e outros republicanos evitarem que isso aconteça e manter viva a raiva entre os conservadores e ativistas do partido.

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"O que o tribunal não fez em seu último dia de sessão, eu vou fazer no meu primeiro dia como presidente dos Estados Unidos", disse Romney. "Vou agir para revogar a lei da saúde de Obama".

A decisão tem potencial de reenergizar o movimento Tea Party - em grande parte nascido da oposição à lei da saúde e a expansão do governo - e deverá fornecer o poder político para Romney revogar a lei, caso ele vença a eleição.

"Isso significa que o movimento Tea Party terá de trabalhar bastante para eleger o presidente e o Congresso que irá revogar a lei apesar da decisão do tribunal", disse Dean Clancy, o vice-presidente de política de saúde para o Freedom Works, um grupo que apoia os esforços do Tea Party.

Clancy disse que a decisão iria alimentar os atuais esforços de seu grupo para organizar um exército de voluntários para conquistar os votos da eleição de novembro, começando com um evento do Tea Party a ser realizado em Columbus, Ohio, no fim de semana.

A decisão pode também dar aos liberais a falsa certeza de que a eleição presidencial já não é um assunto de tanta urgência.

"A decisão de hoje consolida tudo o que está em jogo na eleição de novembro", disse o governador Bob McDonnell, da Virgínia, presidente da Associação dos Governadores Republicanos. "A única maneira de parar com a lei de saúde de Barack Obama é elegendo um novo presidente."

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Partidários da reforma de saúde de Barack Obama comemoram do lado de fora da Suprema Corte decisão que manteve lei (28/6)

Mas existem perigos também para os republicanos, que enfrentam o risco de alienar os eleitores independentes que podem não estarem dispostos a enfrentar uma reprise da briga amarga sobre os cuidados de saúde. Os líderes republicanos estão ansiosos para manter a conversa da campanha centrada na economia, que é o que Romney destacou à medida que ele reagiu à decisão judicial. Ele chamou a lei de saúde uma expansão do governo que aumenta os impostos para os americanos.

"Esse o momento para o povo americano fazer uma escolha", disse Romney. "Nossa missão é clara: se quiserem se livrar da lei de saúde então devemos substituir o presidente Obama."

*Por Jeff Zeleny

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