Alimentados por riquezas do petróleo, shoppings florescem em Bagdá

Centros de compras se adaptam à cultura local e impulsionam novos hábitos de consumo, indicando mudanças no Iraque pós-guerra

The New York Times |

Um dos shoppings tem uma sala de oração. Outro pede que seus clientes entreguem suas pistolas na entrada para que sejam guardadas juntamente com casacos e bolsas. Eles são bons locais para escapar do calor do deserto e, em uma cultura conservadora islâmica, podem ser um dos poucos lugares onde jovens casais podem namorar abertamente ou as mulheres podem fumar cigarros em público.

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Esses shoppings, normalmente construídos nos bairros ricos de Bagdá, demoraram para chegar ao Iraque, mas os iraquianos os adotaram como parte de seu dia a dia, à medida que uma sociedade de consumo alimentada por lucros do petróleo do país começa a florescer.

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Funcionária do Maximall, shopping construído em bairro de classe alta de Bagdá

Grandes shoppings estão sendo construídos por toda a capital. O maior deles incluirá um hotel cinco estrelas e um hospital, e em outro, que já está funcionando, um caminhão chega semanalmente carregando Big Macs vindos de um McDonalds em Amã, na Jordânia.

Essa onda de construções está sendo vista como a prova do progresso do Iraque e o início de seus esforços para voltar à normalidade, nove anos após a invasão dos Estados Unidos e seis meses depois que os últimos soldados americanos deixaram o país .

Consumo

Mas economistas e outros especialistas enxergam um lado mais obscuro para tudo isso. Eles dizem que as máscaras da cultura de consumo emergente possuem falhas fundamentais em uma economia que, como a de outros países ricos em energia, como a Arábia Saudita e o Catar, sufoca a inovação baseando-se quase que exclusivamente nos lucros do petróleo e nos milhões de salários do governo sustentados por esses lucros financeiros em um país ainda dominado pelo sistema de patrocínio.

"Basicamente, o Iraque está tentando construir uma sociedade de consumo, mas não sobre o capitalismo de Estado como na China e sim sobre o socialismo", disse Marie-Helene Bricknell, representante do Banco Mundial no Iraque.

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Lamiya al-Rifaee, 40 anos, uma mãe e empresária que estava em um desses shoppings recentemente reclamou que o local não era tão grande ou tão chique como os que ela havia visitado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos ou na Turquia. Mas para o Iraque, disse ela, é um bom começo e um dos poucos lugares onde deixa seus filhos longe dela, muitas vezes colocando-os na área de jogos no piso superior.

"Aqui eu consigo deixar meus filhos brincando com segurança e comprar tudo o que preciso nas lojas", disse. "As mulheres iraquianas realmente gostam de fazer compras", acrescentou sobre a tendência.

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Iraquiano observa outdoor em shopping novo de Bagdá, capital do Iraque

*Por Tim Arango

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