Homicídios cessam, mas assassinos continuam à solta na Caxemira

Apesar de florescimento, região da Índia marcada por conflitos e alta criminalidade tem mortos sem identificação e suspeitos soltos

The New York Times |

Depois de décadas de guerra, a Caxemira está florescendo novamente. Mas com as armas silenciadas, a Índia deve em breve decidir se a justiça será tão bem-vinda à região quanto os turistas.

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Assassinos andam pelas ruas livremente, mesmo após terem matado milhares de pessoas que estão enterradas em túmulos sem identificação em dezenas de cemitérios secretos. A bonita aldeia de Boniyar possui um desses cemitérios. 

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Família muçulmana caminha por rua deserta durante toque de recolher em Srinagar, capital da Caxemira

Nove anos depois que policiais e tropas indianas enterraram centenas de cadáveres como parte de sua campanha para reprimir um movimento de independência apoiado pelo Paquistão, as valas não identificadas ainda são vistas claramente como se as circunstâncias das mortes tivesse deixado a terra que as cobre de certa maneira instável.

Muitos dos militantes foram enterrados, incluindo mercenários estrangeiros cujas mortes e enterros rápidos são muitas vezes aceitos como consequências de uma guerra. Mas um grande número de pessoas inocentes foram assassinadas devido a ataques mal planejados pelo governo. Nenhum dos militares suspeitos dos assassinatos foram presos.

Abaixo da superfície, as tensões persistem.

A Comissão dos Direitos Humanos do Estado de Jammu e da Caxemira divulgou um relatório em outubro que confirmou a existência de 2.156 sepulturas não identificadas em 38 cemitérios localizados em apenas três distritos Estaduais. A comissão recomendou que as autoridades Estaduais fizessem testes genéticos para identificar os corpos e criassem uma comissão para investigar e processar os responsáveis. Sob a lei indiana, o Estado deve responder dentro de um mês. Nove meses se passaram e não houve resposta.

Oficiais de alto escalão do Exército insistiram publicamente que a imunidade dos militares na repressão na Caxemira, consagrada por lei, é sacrossanta. E o ato de permitir que alguns casos sejam investigados poderia expor muitos ao perigo, disseram.

Parveena Ahangar, presidente da Associação de Pais de Pessoas Desaparecidas em Jammu e na Caxemira, disse que seu grupo havia documentado centenas de casos em que oficiais levaram pessoas que nunca mais foram vistas. Em seu pequeno escritório, ela tem pilhas de arquivos com imagens e depoimentos de testemunhas. Os nomes, postos e unidades de soldados e policiais acusados de executarem os crimes também estão nesses documentos.

Ahangar disse que sabe a identidade dos três policiais que levaram seu filho de 16 anos, Javid, no dia 18 de agosto de 1990. Ela entrou com inúmeras petições judiciais para que os oficiais sejam punidos, mas nada aconteceu. Autoridades militares ofereceram-lhe dinheiro para que ela retirasse suas petições, mas ela se recusou a aceitar tais ofertas, assim como se recusa aceitar a possibilidade de que Javid esteja morto.

"Eu quero meu filho de volta", disse ela. "E eu quero justiça."

AP
Policial indiano em frente a ruínas de santuário em Srinagar

*Por Gardiner Harris

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