Esperança de reforma desaparece no Bahrein e ativistas culpam os EUA

Antes contrários à Família Real no poder, protestos por liberdade política se voltam para relações entre Washington e país do Golfo Pérsico, a quem vende armamentos

The New York Times |

Em um beco escuro de um subúrbio do Bahrein , duas dezenas de manifestantes se reuniram em silêncio e se prepararam para marchar em direção a uma base naval americana. Um adolescente cobriu sua boca com seu lenço, preparado para se defender do gás lacrimogêneo. Um homem espiava tudo de sua casa, segurando sua filha acima de sua cabeça para lhe mostrar um ritual de desafio que se tornou parte da vida na capital Manama.

Levante: Clínicas secretas cuidam de feridos nos protestos no Bahrein

Durante meses, os protestos estiveram destinados a atingir a monarquia vigente, mas recentemente eles passaram a ter um novo alvo. Além de seus conhecidos slogans - contra a Família Real, a favor da liberdade política e do louvor a Deus - os jovens manifestantes agregaram uma nova demanda, escrita em um cartaz em inglês para que os americanos pudessem entendê-lo: "Parem de armar os assassinos, Estados Unidos.”

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Em Manama, manifestantes marcham contra apoio dos EUA ao regime do Bahrein (16/3)

Milhares de cidadãos do Bahrein resolveram se rebelar 16 meses atrás, exigindo liberdades políticas, igualdade social e o fim da corrupção. Mas a monarquia sunita, vista pelos EUA e pela Arábia Saudita como uma aliada estratégica e baluarte contra o Irã, nunca foi deixada sozinha para enfrentar a fúria dos manifestantes.

Mais de 1 mil soldados sauditas ajudaram a acabar com a revolta e permaneceram no Bahrein. Os EUA, um aliado do país, chegaram a apelar para a reforma política, mas reforçaram seu apoio ao governo. No mês passado, o governo de Obama retomou a venda de armas para a região.

Com o apoio de poderosos aliados, o governo tem considerado uma reforma em seus próprios termos. O diálogo entre a maioria xiita do país e o rei já não existe mais. Vinte e um dos dissidentes mais importantes ainda estão presos, e nenhum dos oficiais de alto escalão foi condenado por crimes, incluindo dezenas de assassinatos, que ocorreram durante a repressão do ano passado. Ativistas da oposição ainda são frequentemente detidos e interrogados por coisas que possam ter dito ou feito.

Na sexta-feira de 22 de junho, policiais antimotim atacaram um comício realizado pelo maior partido de oposição do Bahrein, com intuito de dispersar os presentes no comício e ferir seu líder. Toda noite, os manifestantes marcham e confrontos acontecem, em um impasse violento que muitas vezes parece estar há apenas alguns passos de se tornar algo ainda pior, enquanto líderes políticos fazem apelos sectários e uma sociedade que já foi cosmopolita desmorona.

*Por Kareem Fahim

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