Estudantes aprendem hebraico em grafites nas ruas de Israel

Manifestações de arte em paredes e muros de Tel Aviv ajudam estrangeiros a memorizar língua e entender conflitos, como o israelo-palestino, que são parte da realidade do país

The New York Times |

Os textos, escritos em estruturas de metal, paredes de pedra e letreiros de neon, às vezes desaparecem de uma aula para a outra. Os temas são pluralismo, justiça econômica e o conflito israelo-palestino - e, claro, sempre um pouco de gramática.

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As aulas de hebraico de Guy Sharett são dadas em pé em uma espécie de sala de aula ambulante pelas ruas e becos de Florentin, em Tel Aviv, onde palavras do novo vocabulário estão em constante mudança curricular.

"Saia da frente da TV e comece a viver", Sharett traduziu de um slogan hebraico no início da aula em uma noite recentemente, em que era seguido por uma dúzia de estudantes com vontade de entender a vida nas ruas de Tel Aviv tanto quanto a antiga língua falada nelas. Ele também explicou para seus estudantes o que diziam os grafites espalhados pelas paredes.

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"Nós dependemos de um conhecimento cultural que nem sempre temos", disse Marcela Sulak, uma das estudantes que está em Tel Aviv há dois anos atuando como diretora do programa de escrita criativa da Universidade de Bar-Ilan. "Ele nos ensina as ferramentas para que possamos descobrir todos esses significados por conta própria. Estamos aprendendo a falar hebraico ao mesmo tempo que observamos o que está escrito pelo bairro".

Facebook

As aulas de uma hora, que custam 50 shekels (cerca de US$ 12), são organizadas pelo Facebook. Elas foram criadas como resultado dos protestos em agosto do ano passado, que deixaram estudantes surpresos com alguns cartazes colocados no acampamento ao longo do Boulevard Rothschild. Então ele começou a levá-los para as ruas a fim de lhes dar algumas aulas sobre a língua. Depois que as barracas do protesto foram desmontadas, ele decidiu utilizar as pichações de seu bairro como parte de seu novo currículo para aulas de gramática.

"Isso não serve apenas para ensiná-los a língua mas também serve para ensiná-los a respeito da cultura hebraica", explicou Sharett. "Se alguém pega uma frase de uma música que todos nós conhecemos e muda uma palavra é algo muito difícil de entender se você não tem alguém local para explicar.”

A maioria de seus alunos querem aprender termos que podem usar em seu dia a dia. Muitos são alunos que desistiram de classes de imersão gratuitas para novos imigrantes do país.

"Tudo acontece nas ruas", disse o professor Dov Waxman, 37 anos. "Na maioria dos lugares, o grafite é arte ou uma forma de deixar um marco. Aqui, você realmente pode ler a respeito de política. Eu costumo dar uma volta pela cidade sozinho e tento observá-los, mas eu nem sempre entendo tudo do que está escrito."

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O estudante de pós-doutorado Xioayan Wu veio estudar hebraico com Sharett durante três meses e foi o primeiro a responder a maioria de suas perguntas gramaticais. "Você acaba desenvolvendo uma memória mais fotográfica", disse ela sobre o método de aprendizado nas ruas. “O lado positivo disso é que eu posso voltar quando quiser e revisar tudo que aprendi.”

*Por Jodi Rudoren

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