Agente americano mata suspeito de contrabando em Honduras

Tiroteio chama atenção para crescente envolvimento dos EUA em operações contra o narcotráfico na América Latina

The New York Times |

Um agente da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA, na sigla em inglês) matou um homem em Honduras durante uma operação especial contra o contrabando de drogas no início do sábado de 23 de junho. Segundo um porta-voz da embaixada americana no país, o homem que foi morto tentou pegar a arma do agente, que disparou em legítima defesa.

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O tiroteio chamou ainda mais atenção para o crescente envolvimento dos EUA nas operações antidrogas na América Central. Esquadrões de agentes da DEA estão trabalhando com forças de segurança locais em vários países e estiveram presentes em diversas operações em Honduras, que registraram mortes nos últimos 15 meses.

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O último episódio, no entanto, é o primeiro em que um agente americano matou um suspeito, em vez de um oficial da polícia hondurenha. O tiroteio ressaltou questões sobre soberania nacional suscitadas pela crescente participação dos EUA em operações em países estrangeiros.

Operação

O episódio começou no início do sábado perto da aldeia de Ahuas, uma área isolada de Honduras próxima à sua costa norte. O governo americano detectou um avião suspeito de contrabandear drogas da América do Sul quando ele pousava em uma pista nas proximidades, de acordo com Stephen Posivak, porta-voz da embaixada em Tegucigalpa, capital hondurenha.

Um avião de vigilância observou cerca de 40 pessoas descarregando a carga e levando-a para um armazém improvisado na floresta das proximidades. Quatro helicópteros do Departamento de Estado americano, que levavam dois policiais hondurenhos e membros da equipe de apoio e consultoria estrangeira da DEA foram ao local e interceptaram o carregamento. Eles prenderam quatro pessoas, além de recuperar armas e cerca de 360 quilos de cocaína.

Durante a operação, Posivak disse que os agentes do governo pediram ao grupo suspeito de contrabando que se rendesse. Quatro dos suspeitos se renderam e foram presos, mas um quinto tentou pegar sua arma e reagir. O agente dos EUA atirou nele antes que pudesse disparar.

"O suspeito, em vez de se render, pegou sua arma", disse Posivak. "Antes que ele pudesse atirar, o agente da DEA atirou em legítima defesa."

Investigadores hondurenhos chegaram posteriormente para conduzir uma investigação e prenderam mais seis pessoas, explicou.

Dawn Dearden, porta-voz da DEA, confirmou o tiroteio e disse que o agente da DEA tinha permissão para atirar sob as regras de engajamento para tais operações que foram estabelecidas por um acordo entre o governo dos EUA e o de Honduras.

*Por Charlie Savage

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