Preocupações sobre direito das mulheres e tensões étnicas crescem no Afeganistão

Há temores de que avanços feitos em relação aos direitos das minorias afegãs retrocedam após retirada dos soldados estrangeiros em 2014

The New York Times |

Diversos eventos têm estimulado um debate ainda maior sobre a situação dos direitos das mulheres e as tensões étnicas no Afeganistão após a retirada dos soldados americanos em 2014, momento em que serão realizadas novas eleições.

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AFP
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Nos últimos dias, defensores dos direitos das mulheres manifestaram sua indignação com os comentários do ministro da Justiça afegão que disse que os abrigos para mulheres encorajavam "a imoralidade e a prostituição", segundo relatos da imprensa local.

Os defensores dos direitos das mulheres enxergam os abrigos como algo vital para proteger aquelas que enfrentam abuso e exploração sem ter a quem recorrer, já que os termos da legislação local e tradicional praticamente não as incluem.

Em meio a preocupações de que os conservadores poderiam reverter o progresso feito até agora nas questões dos direitos das mulheres, o gabinete da ONU no Afeganistão interferiu na terça-feira de 19 de junho e emitiu uma declaração dizendo que "apoia firmemente o papel crítico que os abrigos desempenham na prestação de apoio e segurança para as vulneráveis mulheres e meninas afegãs, especialmente as que foram vítimas de violência doméstica e violência em geral".

E como novas evidências das tensões sectárias que têm abalado o país, um proeminente líder étnico afegão afirmou que um novo almanaque nacional publicado pela Academia de Ciências do país subestima significativamente o tamanho das minorias étnicas do Afeganistão e faz declarações discriminatórias sobre os hazaras, o grupo étnico ao qual ele pertence.

No mesmo dia, as reclamações parecem ter chamado atenção para o presidente Hamid Karzai, cujo gabinete informou que havia demitido o diretor e outros três membros da Academia.

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O líder hazara, o ex-senhor de guerra Hajji Mohammed Mohaqiq, disse que o almanaque estimou que os hazaras constituíam apenas cerca de 9% da população afegã, enquanto os pashtuns 60%. Ele disse que o almanaque também chamou os hazaras, que são xiitas, de infiéis, entre outras controvérsias. Ele exigiu que o livro fosse retirado de veiculação e apelou para a abolição da Academia, que está sob o controle do gabinete de Karzai.

"Um círculo corrupto de pessoas trabalha em volta do presidente Karzai, e eles estão se preparando para uma guerra civil depois de 2014", disse. O almanaque ainda não está disponível em todo o país e funcionários da Academia não quiseram discutir as afirmações de Mohaqiq.

*Por Graham Bowley

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