Executivos querem calar banqueiro amigo de Obama

Robert Wolf, do UBS, arrecadou mais de US$ 500 mil para a campanha de reeleição do presidente americano, em um momento que o setor financeiro não o vê com bons olhos

The New York Times |

Um dos maiores bancos do mundo quer calar o banqueiro predileto do presidente. O banqueiro Robert Wolf, um executivo de alto escalão do UBS em Nova York, está entre os principais arrecadadores de recursos do presidente americano , Barack Obama, tendo arrecadado mais de US$ 500 mil para sua reeleição neste ano.

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Constantemente presente nos eventos de arrecadação de verbas para a campanha, Wolf, que tem 50 anos de idade, joga golf e passa as férias com Obama é conhecido por enviar emails a seus amigos com fotos suas ao lado do presidente.

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Obama conversa com o banqueiro Robert Wolf, diretor de operações das Américas do UBS (24/2)

Embora a relação tão próxima com o presidente tenha sido invejada por outros banqueiros em 2008, quando grande parte de Wall Street estava apaixonada por Obama e chegou a doar uma boa quantia de dinheiro para a sua candidatura presidencial, hoje essa relação tem trazido um certo desconforto para alguns executivos do UBS.

A relação do presidente com os executivos financeiros diminuiu bastante depois de alguns comentários críticos sobre os banqueiros e da pressão realizada pelo governo sobre a regulamentação financeira.

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Com reportagens apontando que um dos principais executivos do banco é também um dos principais contribuintes da campanha de Obama - uma palavra que um executivo do UBS disse que "deixa muitas pessoas dentro do banco desconcertadas" - o gigante banco suíço decidiu dar um passo um pouco incomum.

Um poderoso executivo da diretoria do banco em Zurique apresentou recentemente a Wolf um decreto interno orientando-o a relatar todas as solicitação da mídia para o escritório de assessoria de imprensa da empresa. Desde então, a maioria dos pedidos para falar com Wolf foram rejeitados, de acordo com relatos de pessoas informadas sobre a situação.

É pouco provável que apenas essa tática para calar Wolf venha a dificultar a sua capacidade de arrecadar dinheiro, mesmo que ele tenha que fazê-lo de maneira mais discreta.

Política interna

No entanto, os contratempos dentro do UBS afetam mais a política interna do banco do que a política nacional. Depois de uma série de contratempos, incluindo uma perda de US$ 2 bilhões atribuídos a um operador da Bolsa de Valores sem escrúpulos em Londres, o banco está se esforçando para conseguir se recuperar.

Vários executivos, mais notadamente Robert McCann, estiveram disputando por uma vaga maior na administração do banco. McCann foi recentemente promovido, enquanto Wolf perdeu algumas de suas responsabilidades.

McCann, 54 anos, que é presidente-executivo do UBS na América, e Wolf, que é presidente das Américas, não se dão bem, de acordo com as pessoas do banco. A tensão dentro do banco transbordou depois que Wolf apareceu em diversos artigos na mídia. O Wall Street Journal o chamou de "o gato gordo do presidente."

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Poucas semanas depois, Wolf recebeu um email lembrando-o da política da empresa para suas relações com a mídia, que seus chefes achavam que ele havia violado.

Karina Byrne, porta-voz do UBS, disse: "Todos os funcionários do UBS estão sujeitos a orientações específicas sobre como falar com a mídia."

Byrne, Wolf e McCann se recusaram a comentar a questão.

*Por Susanne Craig

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