De olho em reeleição, Obama enfrenta cenário externo cheio de complicações

Apesar de acontecimentos que favoreceram sua imagem na presidência, como a morte de Bin Laden, presidente americano prioriza diplomacia diante de crises internacionais

The New York Times |

Para Barack Obama, um presidente que tentou restaurar as boas relações com outros países em seu primeiro mandato, o mundo não parece estar cooperando tanto assim com sua segunda tentativa de reconquistá-lo .

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Essa realidade esteve bastante em voga recentemente. A Europa parece incapaz de conter a crise econômica na Grécia. O conflito sírio intensificou à medida que a ONU suspendeu sua missão de observadores em meio à violência que assolou o país. O levante popular do Egito corre o risco de ser revertido pelos militares . E os russos estão sem estrutura nenhuma em seu país, mas ainda tentam controlar situações no exterior.

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Obama se reúne com líderes da zona do euro durante encontro do G8 em Camp David (19/5)

À medida que Obama seguia para uma cúpula internacional no México em 17 de junho, a quantidade de problemas que assolavam o exterior destacava os desafios para um presidente que está tentando administrar certos assuntos globais enquanto se concentra em sua campanha de reeleição.

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Embora os eleitores americanos não tenham tanta preocupação assim com a política externa em um momento de problemas econômicos internos, o resto do mundo tem uma maneira muito eficaz de ocupar o tempo do presidente e influenciar os planos de sua campanha.

O truque para qualquer presidente, é claro, é não parecer abatido com a situação, mesmo enquanto seu adversário tenta mostrá-lo como fraco na maneira como lida com situações no cenário internacional. Se um presidente não consegue se destacar no cenário mundial, de acordo com o argumento de seu rival, então ele não está à altura da tarefa de ser presidente em uma época complicada.

"Ambos os candidatos têm de fingir que a presidência dos Estados Unidos é muito mais influente sobre o cenário internacional do que ela realmente é", disse Stephen D. Biddle, especialista do Conselho de Relações Internacionais.

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O exemplo óbvio é a situação da economia europeia, que tem profundas implicações para a economia dos Estados Unidos, mas está em grande parte fora de seu controle.

"Admitir isso, no entanto, é parecer fraco ou querer fugir de suas responsabilidades", disse Biddle. "Então, ambos os candidatos concordam em fingir que suas plataformas políticas são capazes de corrigir a economia americana enquanto seu oponente irá piorá-la, quando na realidade ambos estão à mercê de países estrangeiros de uma maneira que nenhum dos dois poderia ou gostaria de admitir."

Prioridade

A viagem de Obama ao México para a reunião do G20 é a sua terceira visita internacional em um mês, refletindo a força das prioridades desses eventos para qualquer governante de uma nação influente. Enquanto ele comparecia ao evento em Los Cabos, seu adversário republicano Mitt Romney fazia uma turnê por Estados americanos decisivos.

"Eu ainda tenho de fazer o meu trabalho como presidente", disse Obama em um evento de arrecadação de fundos na Califórnia no mês passado.

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Embora a política externa possa ter seus desafios, ela também tem suas vantagens para um presidente. Viajar ao redor do mundo no Air Force One para se reunir com líderes como o russo Vladimir Putin transmite uma imagem de poder. Isso permite que Obama lide com críticas com uma postura sólida assim como sua campanha fez com os comentários feitos por Romney sobre Israel no fim de semana.

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Presidente americano, Barack Obama, embarca no Air Force One com destino a Los Cabos, no México, para reunião do G20 (17/6)

"Mitt Romney está novamente tentando se garantir através de ataques distorcidos contra o presidente Obama e seu apoio a Israel," disse Ben LaBolt, um porta-voz da campanha de Obama. "Nosso relacionamento com Israel é muito importante para o governador Romney tentar fazer política a respeito."

Feitos

Obama assume que a política externa será uma vantagem para ele, principalmente porque ele retirou as tropas do Iraque, ajudou a derrubar Muamar Kadafi na Líbia, teve uma postura rígida contra os terroristas e autorizou o ataque que matou Osama bin Laden.

Mas mesmo com toda a atenção sobre a Síria, Egito e outras áreas de conflito, a crise mais importante para Obama continua sendo a economia europeia por causa de seu impacto nos Estados Unidos. "Pode ser que a situação da Europa atrapalhe os esforços de Obama durante sua campanha e o prejudique na hora errada", disse. "Ele vai ter de se esforçar mais ainda durante a eleição para ter controle da situação."

*Por Peter Baker

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