Nova biografia de Obama questiona memórias em livro escrito por presidente

'Barack Obama: The Story' promete documentar que a maneira como democrata narrou sua história parece contraditória diante de relatos de conhecidos e acontecimentos de sua vida

The New York Times |

Em 1990, na Escola de Direito de Harvard, o presidente americano, Barack Obama, foi constantemente zombado por seus colegas por promover incansavelmente a exótica história de vida que mais tarde se tornou o tema de seu livro best-seller "Dreams From My Father" ("A Origem dos Meus Sonhos", Editora Gente).

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"Minha mãe foi cantora de apoio do grupo Abba. Ela era uma mulher de bom coração", uma paródia estudantil zomba ao falar sobre o histórico de Obama. Em Chicago, "eu descobri que era afroamericano e continuei sendo um desde então."

Uma nova biografia, "Barack Obama: The Story" (Barack Obama: A História, em tradução livre), escrita por David Maraniss do jornal The Washington Post, promete documentar que a maneira como Obama narra sua história parece ser contraditória com relatos de pessoas e acontecimentos de sua vida. O livro será lançado na terça-feira, dia 26 de junho.

As memórias do presidente têm sido o alicerce de sua biografia política. Publicado pela primeira vez em 1995, quando Obama contemplou seguir carreira como autor, seu livro se tornou uma febre entre seus partidários devido a sua busca para encontrar uma identidade racial.

Hoje em dia os republicanos estão tentando retratar Obama como desonesto em relação às memórias que relata de sua vida. Funcionários e assessores do comitê de campanha de Romney estão vasculhando o livro de Maraniss "para encontrar maneiras de utilizá-lo para sua vantagem política."

Na biografia, Maraniss sugere que a vida de Obama foi menos dramática - e mais rotineira - do que o presidente tentou mostrar em seu livro.

Em uma entrevista concedida a um programa de televisão da rede MSNBC, Maraniss disse que o presidente não escreveu uma história factual de sua vida e na verdade "tentou retratar tudo através de uma lente racial. Esse era o propósito original do livro."

Divergências

Maraniss atribui algumas das diferenças entre o livro de Obama e o que realmente aconteceu com o tipo de histórias que muitas vezes são contadas com um toque de exagero por parte do autor. Maraniss também escreve que Obama pulou as partes mais comuns de sua vida, como por exemplo a que fala sobre sua educação, para se concentrar sobre o tema da raça.

Obama deixou claro em suas memórias que os diálogos ali registrados eram "uma aproximação" e que alguns personagens e eventos haviam sido alterados. Mas os detalhes do que exatamente havia sido alterado não havia ficado muito claro.

A campanha presidencial deste ano provavelmente não irá se preocupar muito com possíveis perguntas sobre o novo livro das memórias de Obama. Mas a publicação do livro de Maraniss a menos de cinco meses da eleição sugere que o presidente poderá enfrentar mais perguntas sobre a sua narrativa pessoal do que quatro anos atrás.

*Por Michael D. Shear

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