Armamentos pesados podem piorar escalada de conflito na Síria

Evidências de armas comercializadas entre Rússia e Síria dificultam relações entre Washington e Moscou e colocam governo Obama em situação delicada

The New York Times |

Com o surgimento de evidências de que novos armamentos pesados estão sendo comercializadas para o governo e para a oposição síria, a revolta do país tem colocado o governo do presidente americano, Barack Obama, em uma situação cada vez mais difícil e demonstrado sinais de estar se transformando em uma guerra civil.

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A Secretária de Estado americana, Hillary Rodham Clinton, disse em 12 de junho que os Estados Unidos acreditam que a Rússia enviou helicópteros de ataque à Síria para que o presidente sírio, Bashar al-Assad, pudesse utilizá-los para aumentar a repressão de seu governo contra os civis e as milícias que lutam contra seu regime.

AP
Manifestantes protestam com bandeira da Síria contra o presidente Bashar al-Assad em Damasco (18/6)

Seus comentários refletem a crescente frustração americana com a Rússia, que continuou a fornecer armas a seu principal aliado no Oriente Médio, apesar de um protesto internacional contra a repressão brutal do governo.

"Nós confrontamos os russos para que interrompessem o envio de armas para a Síria", disse Hillary em uma coletiva de imprensa realizada ao lado do presidente israelense, Shimon Peres. "Eles nos disseram que não deveríamos nos preocupar, que tudo que estão enviando para o país não tem relação com suas ações internamente, e isso é evidentemente uma mentira.”

Defesa

A Rússia insiste que fornece a Damasco apenas armas que possam ser utilizadas para autodefesa. À medida que os combates se intensificavam por toda a Síria, houveram relatos de que as forças do governo estavam utilizando helicópteros para atacar um enclave controlado pelos rebeldes no noroeste do país.

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O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha, informou que mais de 60 pessoas foram mortas nesses combates, sendo um terço soldados do governo, enquanto a ONU divulgou um relatório dizendo que jovens sírios, muitos com apenas 8 anos de idade, foram utilizados como escudos humanos para os soldados.

Os ataques aéreos do governo são em parte uma resposta a táticas e armamentos melhores das forças da oposição, que receberam recentemente poderosos mísseis antitanques da Turquia, com o apoio financeiro da Arábia Saudita e de Catar, de acordo com membros do Conselho Nacional da Síria, o principal grupo da oposição em exílio, e outros ativistas.

Esses ativistas disseram que os Estados Unidos foram consultados sobre essas transferências de armas.

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O uso de helicópteros está contribuindo para um sentimento crescente de que o confronto em breve poderá ser descrito como uma guerra civil, segundo Herve Ladsous, o chefe de operações de manutenção da paz da ONU.

"A guerra civil não acontecerá em um ou dois ou cinco dias, mas você tem de observar que aos poucos as coisas estão mudando", disse Samir Nachar, membro do Comitê Executivo do Conselho Nacional da Síria. "Você não pode pedir que as pessoas não se defendam, isso é impossível. "

*Por Mark Landler e Neil MacFarquhar

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