Volta de Putin esfria relações entre Estados Unidos e Rússia

Saída de Medvedev em maio deu início à relação menos amigável com Washington, liderada por impasse a respeito de conflito na Síria; Putin e Obama se reúnem nesta semana

The New York Times |

Sentado ao lado do presidente Barack Obama no início do ano, o presidente da Rússia disse que "esses talvez tenham sido os melhores três anos nas relações entre a Rússia e os EUA na última década". Dois meses e meio depois, esses dias felizes não passam de uma vaga lembrança.

AP
Presidente russo, Vladimir Putin, discursa durante sua posse em 7 de maio

Dmitri Medvedev , o presidente otimista que colaborou com Obama e celebrou sua parceria em março, deixou o poder. Hoje Vladimir V. Putin está em seu lugar e seu retorno ao Kremlin deu início a uma relação menos amigável com os EUA, liderada por um impasse a respeito da Síria e complicada por diferentes políticas internas de ambos os países.

Impasse: Síria aumenta tensão entre EUA e Rússia e expõe limites da diplomacia americana

A tensão em relação à Síria tem sido agravada por acusações dos EUA de que a Rússia estaria fornecendo armamentos para o regime sírio de Bashar al-Assad, o que Moscou nega. O vaivém ressaltou os limites da capacidade de Obama em conseguir "reatar" as relações entre os dois países, algo que resolveu fazer quando assumiu o cargo de presidente.

Obama e Putin estão se preparando para um primeiro encontro no qual os dois estarão como presidentes. O encontro ocorre nesta semana durante a reunião de cúpula do G20 no México.

Com Obama sendo acusado por Mitt Romney , seu adversário republicano à presidência , de ser pouco rígido em sua postura contra a Rússia, e com Putin recorrendo a declarações anti-EUA como resposta aos protestos que ocorreram nas ruas de Moscou , a reunião no México está sendo vista como um teste para saber se a relação entre esses países voltará a ser o que era.

"Já havíamos construído uma certa relação com os russos e estávamos prestes a passar para uma nova etapa", disse Benjamin J. Rhodes, um assessor de segurança nacional de Obama. "Podemos tentar continuar construindo essa relação com os russos, mesmo tendo nos deparado com algumas diferenças, principalmente em relação à Síria."

Outros enxergam a relação entre os dois países de uma maneira mais pessimista. "Há uma crise no relacionamento russo-americano", disse Aleksei K. Pushkov, o chefe do comitê russo de assuntos parlamentares estrangeiros.

Somando-se à tensão, o Congresso americano resolveu impor restrições a vistos e transações bancárias de autoridades russas envolvidas em abusos de direitos humanos. A legislação bipartidária, batizada em homenagem a Sergei L. Magnitsky, um advogado cuja investigação de corrupção levou à sua morte na prisão, passou por um comitê da Câmara na semana passada e deve ser levada a um comitê do Senado nesta semana.

*Por Peter Baker

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