Redes sociais causam dor ao 'aproximar' parentes separados por brigas familiares

Por meio da web, pais, mães e filhos cujas relações foram rompidas têm vislumbres de momentos não compartilhados com o outro, em lembrança dolorosa do que perderam

The New York Times |

Até pouco tempo atrás, brigas familiares causavam rupturas quase sempre permanentes, apesar de toda angústia que isso pudesse causar. As pessoas costumavam cortar o contato, deixando de se falar até que a disputa fosse resolvida. Mas no mundo das redes sociais, o sentimento de alienação está sendo redefinido, trazendo novas complicações.

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Parentes podem obter vislumbres vívidos das vidas uns dos outros por meio de atualizações no Facebook, publicações no Twitter e imagens distribuidas pelo Instagram, seja jantar a dois ou os primeiros passos de um neto. E esses vislumbres são muitas vezes lembranças dolorosas do que eles perderam.

"Frequentemente ouço: 'Ouvi de alguém que leu no Facebook que meu filho se casou', ou 'Minha filha teve um filho e eu nem sabia que ela estava grávida'", disse Joshua Coleman, um psicólogo que escreveu um livro sobre o estranhamento, "When Parents Hurt” (Quando os Pais Sofrem, em tradução literal).

Não existem dados concretos em relação ao número de desavenças familiares nos EUA ou se eles estão em ascensão. Mas especialistas concordam que as rixas familiares - entre pais e filhos ou irmãos - podem levar à depressão, problemas matrimoniais e até mesmo ao suicídio.

Vera Shelby, diretora do Healing Estranged Relationships (Curando Relações Problemáticas, em tradução livre), um grupo de apoio com vertentes no Texas e no Colorado, disse que o afastamento tem suas etapas específicas de sofrimento.

"Em alguns casos, isso é quase pior que a morte, porque eles estão vivos, porém estão separados de você", disse Shelby, 67, cuja filha se recusou a falar com ela durante quatro anos.

Uma mulher chamada Maria, uma funcionária pública do condado da Flórida, passou dois longos períodos sem falar com a filha. O primeiro, começando em 1997, foi de partir o coração, mas ela disse que não chegou perto de ser tão angustiante quanto o seu impasse atual, que dura dez meses.

"Não sabia o que ela fazia durante todos aqueles meses e anos", disse Maria, acrescentando que a filha cortou relações com ela porque ela desaprovou seu namorado. "Era mais fácil porque não havia lembranças."

Uma possível solução é simplesmente fechar sua conta no Facebook para evitar a dor, mas na prática pode ser muito difícil. "Tenho muito medo de fechar minha conta", disse Maria, que sofreu ao ver um vídeo de seu neto na rede social.

"De maneira um pouco estranha, sinto que consigo estabelecer algum tipo de conexão mesmo que seja por meio da tela de um laptop", acrescentou. "Sei que não é real, mas é o que tenho hoje."

*Por Catharine Saint Louis

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