Indianas de Mumbai fazem campanha pelo 'Direito de Fazer Xixi' gratuitamente

Mulheres contam com menos banheiros públicos na metrópole de cerca de 20 milhões de habitantes e, ao contrário dos homens, precisam pagar pelo serviço

The New York Times |

Homens e mulheres em Mumbai, uma congestionada metrópole com cerca de 20 milhões de habitantes, parecem ter pelo menos uma desgraça em comum: muitos compartilham um número muito pequeno de banheiros.

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Mulher lava pé de seu filho do lado de fora de banheiro feito de palafitas cujos dejetos são lançados diretamente em fonte de água em favela de Mumbai, Índia (22/05)

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Mas existe uma diferença: ao contrário dos homens, as mulheres muitas vezes têm de pagar para usar banheiros públicos. Por isso, há muitos meses, ativistas sociais como Minu Gandhi têm argumentado que isso é discriminação e solicitado que as mulheres comecem a exigir mais um direito que talvez jamais tenham imaginado que precisariam defender: o direito de ir ao banheiro gratuitamente.

"Todos sabemos que esse é um direito básico de todos cidadãos", disse Gandhi, "um direito humano".

A Índia sempre teve problemas de saneamento. Dados de um censo recente mostraram que mais da metade dos lares indianos não possui um banheiro, uma taxa que se agravou na última década, apesar da riqueza crescente do país. Mas o que torna a campanha do direito de ir ao banheiro única - o nome original, "Pelo Direito de Fazer Xixi", foi altamente divulgado na mídia de Mumbai - é o argumento de que os banheiros na Índia são governados por um padrão contraditório.

Nas regiões rurais, as mulheres, assim como os homens, muitas vezes precisam urinar ao ar livre. Mas ao contrário deles, elas às vezes têm de lidar com insultos e até mesmo agressões sexuais.

Em Mumbai, milhões dependem de banheiros públicos geralmente localizados em prédios escuros e imundos, que são controlados por homens. O governo municipal oferece 5.993 banheiros públicos para os homens e 3.536 para as mulheres. Os homens têm um total de 2.466 mictórios a mais para aliviar suas necessidades.

Quase sempre, um atendente masculino supervisiona esses banheiros, certificando-se de cobrar as taxas de uso.

A corrupção é forte na Índia, e os banheiros públicos não escapam dela: os homens têm de pagar para usar um banheiro, mas podem usar os mictórios gratuitamente (com base na premissa de que os mictórios, geralmente apenas uma parede e uma vala de drenagem, não precisam de água). Mas as mulheres normalmente têm de pagar para utilizar os banheiros, apesar dos regulamentos dizerem que não precisam.

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A campanha começou no ano passado, quando uma coalizão de defensores sociais se reuniu no Estado de Maharashtra, que inclui Mumbai. Os organizadores de cada cidade escolheram temas diferentes, incluindo a violência doméstica e a igualdade de acesso à água. O grupo de Mumbai considerou campanhas pela água, habitação ou saneamento antes de decidir prosseguir com a campanha do direito de utilizar o banheiro gratuitamente.

Talvez os meses de prospecção e de campanha possam valer a pena. Na semana passada, os defensores sociais se reuniram com os oficiais municipais que lhes informaram a respeito de novos planos para construir centenas de banheiros públicos para as mulheres em toda a cidade. Alguns legisladores locais agora estão prometendo construir banheiros para as mulheres em cada um de seus distritos.

Nada é oficial ainda, e essas promessas muitas vezes não se tornam realidade na política indiana. Mas os ativistas sentem que o momento está a seu favor.

*Por Jim Yardley

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