Países árabes enfrentam obstáculos para recuperar bens de ditadores depostos

Investigadores do Egito, Líbia e Tunísia tentam encontrar imóveis, iates e contas bancárias que ex-líderes passaram décadas escondendo

The New York Times |

Logo após o início da revolta contra Muamar Kadafi na Líbia, no ano passado, bancos e governos estrangeiros congelaram bilhões de dólares em bens de sua família e de seu governo, assim como tinham congelado as contas de governos derrubados na Tunísia e no Egito.

Mas esses ditadores passaram décadas acumulando e escondendo fortunas imensas, e grande parte da riqueza não foi fácil de encontrar.

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AP
O ex-presidente do Egito Hosni Mubarak é visto durante julgamento no Cairo (29/01)

Investigadores líbios dizem ter identificado dezenas de bilhões de dólares em bancos suíços que nunca foram congelados - todo este montante obtido através da vasta riqueza em petróleo da Líbia e disfarçado sob nomes inócuos.

Na Tunísia e no Egito, os novos governos estão em busca de imóveis, iates e contas bancárias no exterior que também dizem valer bilhões de dólares. Investigadores dos três países dizem enfrentar enormes obstáculos para rastrear e recuperar o dinheiro.

Na Líbia, o dinheiro obtido com o petróleo frequentemente era lavado através de complexas parcerias estrangeiras que lhes davam um ar de legitimidade. No Egito e na Tunísia, os novos governos estão tentando recuperar os bens das famílias dominantes e de seus aliados no mundo dos negócios e da indústria, que dizem terem sido obtidos através de nepotismo, corrupção e roubo.

Provar que essas fortunas foram obtidas de maneira ilícita pode ser extremamente difícil, especialmente quando sistemas jurídicos estrangeiros estão envolvidos. Em alguns casos, as pessoas que sabem onde está o dinheiro vivem em constante risco.

Shukri Ghanem, um ex-ministro do petróleo da Líbia que fugiu do país no ano passado, foi encontrado morto em circunstâncias misteriosas no Rio Danúbio, em Viena, em 29 de abril. Dias antes, ele se ofereceu para contar a autoridades líbias tudo que sabia sobre uma série de acordos de petróleo em troca de imunidade, de acordo com dois homens que falaram com ele.

Outro confidente de Kadafi, Bashir Saleh Bashir - o único homem que sabe o paradeiro de US$ 7 bilhões em investimentos africanos do ex-ditador, segundo as autoridades líbias - foi capturado por rebeldes no ano passado, mas conseguiu escapar. Até agora, quase nenhum dos "bens escondidos" foi localizado.

Em março, as autoridades líbias conseguiram obter a propriedade de uma casa de US$ 15 milhões localizada na região norte de Londres, que pertencia a Saadi Kadafi, um dos filhos do ex-ditador.

Dois aviões, um atualmente na França e o outro na Suíça, que pertenceram ao ex-ditador tunisino Zine El Abidine Ben Ali, no valor total de US$ 30 milhões, foram transferidos para o novo governo do país no ano passado.

Por Robert F. Worth

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