Candidatos à presidência do México prometem mudar guerra contra tráfico

Presidenciáveis querem dar prioridade à redução da violência, e não à tentativa de impedir fluxo de drogas para os Estados Unidos

The New York Times | - Atualizada às

Os três principais candidatos à presidência do México prometeram uma grande mudança na estratégia do país na guerra contra o narcotráfego, dando prioridade à redução da violência no México ao invés de usar prisões e apreensões para bloquear o fluxo de drogas para os Estados Unidos.

Embora prometam continuar lutando contra o tráfico de drogas, os candidatos afirmam que pretendem eventualmente retirar o Exército mexicano deste combate. Eles estão preocupados que as Forças Armadas tenham se revelado incapazes de realizar o trabalho policial e que tenham contribuído para o elevado número de mortes, que excedeu 50 mil desde que o presidente Felipe Calderón colocou os militares no centro de batalha contra os traficantes de drogas, há mais de cinco anos.

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NYT
Enrique Peña Nieto, candidato à presidência do México, concede entrevista na Cidade do México (04/06)

Enrique Peña Nieto, o candidato favorito da disputa presidencial, não tem enfatizado o impedimento do tráfico de drogas ou a captura dos chefões de cartéis à medida que avança nas semanas finais da campanha para a eleição de 1º de julho.

Ultimamente ele sugeriu que, embora o México deva continuar a trabalhar com o governo dos Estados Unidos na luta contra o crime organizado, o país não deveria se "subordinar às estratégias de outros países." "A tarefa do Estado - que do meu ponto de vista deve ser sua prioridade, e algo que eu tenho pedido ao longo desta campanha - é reduzir os níveis de violência", disse.

As autoridades americanas têm tido o cuidado de não comentar publicamente a disputa ou a perspectiva de uma mudança estratégica na região por medo de acusações de interferência.

Uma autoridade de alto escalão do governo Obama afirmou na sexta-feira, dia 8 de junho, que a demanda de Peña Nieto de que os Estados Unidos respeitem as prioridades do México "é um slogan que ele está usando para óbvios fins políticos". Em reuniões privadas, segundo a autoridade, "o que percebemos, basicamente, é que ele aprecia e compreende plenamente que se/quando ganhar terá de continuar trabalhando conosco".

Ainda assim, a potencial mudança, que reflete o pensamento de um número crescente de pesquisadores de criminalidade, tem criado preocupação entre alguns políticos americanos.

Os outros dois principais candidatos, Andres Manuel Lopez Obrador, que perdeu por pouco a disputa em 2006 e está ganhando espaço nas pesquisas, e Josefina Vázquez Mota, do Partido de Ação Nacional, se juntaram a Peña Nieto na promessa de priorizar a diminuição da violência, que saiu de controle durante o mandato de Calderón.

"Os resultados não serão medido por quantos criminosos forem capturados, mas pela estabilidade e segurança das comunidades", disse Vázquez Mota.

Por Randal C. Archibold e Damien Cave

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