Emails detalham acordo entre Obama e indústria farmacêutica dos EUA

Republicanos divulgam mensagens trocadas entre equipe do presidente e lobistas em meio à negociação sobre reforma da saúde

The New York Times |

Depois de semanas de negociações, os lobistas da indústria farmacêutica começaram a ficar nervosos. Para garantir um acordo com a Casa Branca sobre a reforma no sistema de saúde, eles precisavam ter certeza de que o presidente Barack Obama impediria uma proposta apresentada por seus aliados liberais destinada a derrubar os preços dos medicamentos.

Em 3 de junho de 2009, um dos lobistas enviou um email a Nancy-Ann DeParle, conselheira do presidente para a saúde. DeParle deu garantias ao lobista, embora Obama estivesse no exterior.

Desta maneira, a equipe de Obama sinalizou a possibilidade de pôr de lado o apoio à reimportação de medicamentos a preços mais baixos e solidificou um pacto com uma indústria que havia difamado durante a campanha. Esta colaboração improvável com a indústria farmacêutica foi central para a proposta de Obama para reformar o sistema nacional de saúde.

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Republicanos divulgam mensagens trocadas entre equipe do presidente e lobistas da saúde em meio à negociação sobre reforma do setor

A troca de emails naquele dia, há três anos, estava entre mensagens divulgadas nas últimas semanas por republicanos. Os contornos gerais das relações do governo com a indústria eram conhecidos em 2009, mas os emails recém-divulgados revelam os compromissos subjacentes a uma lei que agora aguarda a aprovação da Suprema Corte.

O acordo feito por Obama em 2009 representou um momento crucial em sua precoce presidência, quando o idealismo inebriante da campanha colidiu com a realidade confusa da política de Washington. Um presidente que havia prometido veicular todas as negociações na emissora C-SPAN fez um acordo a portas fechadas com uma indústria de lobby poderoso, significando para alguns apoiadores liberais desiludidos a perda da inocência, ou talvez mesmo o triunfo do cinismo.

Mas o acordo foi considerado necessário pelo presidente para evitar a oposição da indústria, que durante gerações frustrou os esforços para dar cobertura aos não segurados. Sem o acordo, no qual a indústria concordou em fornecer US$ 80 bilhões para expandir a cobertura em troca de proteção contra políticas que custariam mais, Obama calculou que poderia não chegar a lugar algum.

"Ao longo de sua campanha, o presidente deixou claro que levaria todas as partes interessadas para a mesa de negociações a fim de aprovar a reforma de saúde, mesmo adversários de longa data como a indústria farmacêutica", disse Dan Pfeiffer, diretor de comunicações da Casa Branca. "Ele entendeu corretamente que a falta de vontade de trabalhar com pessoas de ambos os lados da questão foi uma das razões pelas quais a aprovação de uma reforma da saúde levou quase um século."

Os republicanos veem o acordo como hipócrita. "Ele disse que seu governo seria o mais aberto, honesto e transparente, sem lobistas elaborando projetos de lei", disse o congressista Michael C. Burgess, do Texas, um dos republicanos no Comitê de Energia e Comércio que está analisando o acordo. "Então, quando chegou a hora, os lobistas entraram e os projetos de lei foram escritos."

Alguns liberais incomodados com o acordo em 2009 agora acham a crítica republicana difícil de aceitar dados os laços de longa data do partido com a indústria.

"Os republicanos anunciando esses emails é como uma raposa reclamando que alguém invadiu o galinheiro", disse Robert Reich, secretário de Trabalho durante o governo do presidente Bill Clinton. "É triste dizer, mas isso é chamado de política em uma época em que as grandes corporações têm um veto efetivo sobre legislações importantes que lhes dizem respeito e quando o Partido Republicano é normalmente o beneficiário. Neste caso, o Partido Republicano foi enganado. Quem são eles para reclamar?"

Em comunicado, a Organização dos Fabricantes Farmacêuticos da América afirmou que suas interações com Casa Branca fizeram parte de sua missão para "garantir o acesso dos pacientes" a medicamentos de alta qualidade.

Por Peter Baker

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