Conflito na Síria prejudica imagem cuidadosamente criada de Assad

Antes de revolta, presidente sírio e sua mulher contrataram profissionais para se retratar como progressistas e até glamurosos na mídia ocidental

The New York Times |

Para alguns jornalistas, a Síria tem sido um dos países menos hospitaleiros do Oriente Médio, um lugar no qual os repórteres - quando conseguem entrar - são rotineiramente perseguidos e ameaçados ao tentar descobrir algo sobre a repressão que tem apoiado o governo do presidente Bashar Al-Assad há décadas.

Para outros jornalistas, a Síria tem sido, até recentemente, um país liderado por um culto e poliglota Bashar Al-Assad, que, juntamente com sua mulher britânica, Asma, estava ajudando a inaugurar uma nova era de abertura e prosperidade na região. Essa segunda impressão não existe por acaso.

Leia também: Resposta de Assad à revolta na Síria divide sua própria seita

AP
Foto de julho de 2008 mostra Assad e Asma em Paris

Com a ajuda de profissionais de relações públicas caríssimos que trabalharam nos governos de Bill Clinton (1993-2001), George W. Bush (2001-2009) e Margaret Thatcher (1979-1990), Assad e sua família têm procurado ao longo dos últimos cinco anos retratar-se nos meios de comunicação ocidentais como acessíveis, progressistas e até mesmo fascinantes.

Revistas como a Paris Match e a edição francesa da Elle, além de sites como o The Huffington Post, publicaram reportagens elogiosas sobre a família, muitas vezes com foco em moda e celebridades.

Em março de 2011, no mesmo momento em que Assad e sua forças de segurança iniciavam uma ofensiva brutal contra seus adversários políticos que levaria à morte de cerca de 10 mil sírios, a revista Vogue publicou um perfil elogioso da primeira-dama, descrevendo-a como "uma determinada e avassaladora máquina de solas vermelhas", uma referência aos seus saltos Christian Louboutin.

A bajulação de líderes mundiais - particularmente dos ocidentais e atraentes - não é nada novo. Mas a família Assad parecia especialmente determinada em polir sua imagem, tanto que contratou especialistas para fazê-lo.

A família pagou US$ 5 mil por mês à empresa de relações públicas Brown Lloyd para atuar como um elo de ligação entre a Vogue e a primeira-dama, de acordo com a empresa de Washington.

Nenhum dos artigos sobre Asma Assad foi tão poderoso quanto um texto de 3,2 mil palavras publicado em março 2011 na Vogue, intitulado "Uma Rosa no Deserto".

No ano passado, a revista retirou o artigo de seu site.

No domingo, Anna Wintour, editora da Vogue, emitiu uma declaração sobre o artigo dizendo: "Como muitos naquela época, estávamos esperançosos de que o regime de Assad seria uma abertura para uma sociedade mais progressista. Após a nossa entrevista, à medida que os terríveis acontecimentos do ano passado se desdobravam na Síria, ficou claro que as suas prioridades e valores estão completamente em desacordo com os da Vogue. As atrocidades crescentes na Síria são inadmissíveis e lamentamos as ações do regime Assad nos termos mais fortes possíveis. "

Por Bill Carter e Amy Chozick

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