Bo Xilai permitiu investigação de sua mulher por homicídio, indica nova versão

Mistério permanece sobre reação de ex-líder do Partido Comunista quando chefe de polícia lhe disse que sua mulher era suspeita de assassinato

The New York Times |

Em janeiro, na época em que os chineses estavam comemorando o Ano Novo Lunar, o chefe de polícia de Chongqing pressionou Bo Xilai , o ambicioso líder do Partido Comunista na região, com evidências de que a mulher de Bo havia se envolvido em um assassinato.

Essa reunião, que supostamente aconteceu em 28 de janeiro, culminou na queda de Bo e ao maior escândalo político do país nos últimos anos. Mas o que aconteceu entre Bo e seu aliado de longa data, Wang Lijun, permaneceu um mistério.

Leia também: Queda de líder político chinês coloca seus aliados em risco

Existe uma versão quase oficial do encontro, baseada presumivelmente no relato feito por Wang aos investigadores chineses que circulou entre os dirigentes do partido. Essa versão retrata Bo como reagindo com raiva às acusações de Wang, que disse ter sido agredido pelo ex-líder comunista com um soco no rosto.

Mas uma história diferente tem circulado entre várias pessoas próximas aos dois, e que revela um Bo mesnos emocional e mais calculista.

Essa versão é a seguinte: na verdade Wang confrontou Bo no dia 18 de janeiro com evidências ligando sua mulher, Gu Kailai, ao assassinato por envenenamento de Neil Heywood, um empresário britânico e amigo de longa data da família. Essa foi a primeira vez que Bo ouviu falar do suposto envolvimento de sua esposa na morte. Na época, Bo concordou em permitir que Wang tomasse as medidas necessárias contra sua esposa com base em evidências, mesmo que isso significasse que Gu seria levada a julgamento. No encontro, Wang também disse a Bo que três policiais pediram para ser transferidos do caso depois que a investigação apontou o envolvimento de sua família.

Essa história foi contada por Yu Junshi, um amigo próximo de Bo. Yu trabalhou na década de 1990 como agente de inteligência chinês no exterior. Ele também era próximo de Wang e foi detido na investigação do partido sobre Bo, que foi demitido de seu posto como chefe do partido em Chongqing em março e suspenso do Politburo no mês seguinte.

"No encontro, Bo disse: 'Deixe-me pensar um tempo sobre isso'", contou uma pessoa que encontrou Yu e falou sob condição de anonimato por medo de ser oficialmente interrogada sobre os acontecimentos. "Então, para mostrar que é justo, Bo disse que estaria disposto a permitir que sua esposa fosse julgada."

Mas no ambiente cheio de rumores que se seguiu à queda de Bo, não está claro exatamente qual relato é verdadeiro.

Por Edward Wong

    Leia tudo sobre: chinabo xilaigu kailaipartido comunista chinêswang lijun

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG