Resposta de Assad à revolta na Síria divide sua própria seita

Para muitos alauítas, presidente sírio está arriscando futuro da comunidade ao levá-la à beira da guerra civil com muçulmanos sunitas

The New York Times |

À medida que a revolta síria escala para um novo nível de conflito sectário, o presidente Bashar Al-Assad está cada vez mais dependente do apoio da minoria alauíta, sua base religiosa.

O núcleo alauíta da elite da força de segurança ainda está a seu lado, assim como os sírios de muitos grupos minoritários. Mas entrevistas indicam complexas divisões mesmo dentro do grupo.

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AP
Corpo de sírio Thaer al-Khatib, morto por forças sírias, é carregado durante seu funeral em Kfar Nebe, província de Idlib (08/06)


Alguns alauítas estão frustrados por ele ainda não ter conseguido esmagar a oposição, enquanto outros dizem que Assad está arriscando o futuro dos alauítas levando-os à beira de uma guerra civil com os muçulmanos sunitas.

O Partido Baath de Assad professa um socialismo secular pan-árabe, mas os sunitas, que representam cerca de 74% da população, há muito tempo têm receios quanto ao que veem como um regime sectário governado por alauítas, um ramo xiita do Islã cujos seguidores constituem apenas 13% da população.

As divisões entre os alauítas se tornaram mais intensas à medida que a violência no país aumenta.

Quando Jaber Abboud, um padeiro alauíta de Baniyas, Síria, atacou Assad publicamente por falhar em promover uma mudança real, seus vizinhos o ignoraram.

Mas quando o levante popular irrompeu, muitos dos vizinhos alauítas de Abboud passaram a acreditar que se a família Assad cair, eles estarão condenados.

Eles se fecharam em grupo e rejeitaram Abboud, boicotando sua padaria e, finalmente, forçando-o a deixar a cidade. "O regime queria me prejudicar para fazer de mim um exemplo para as pessoas da comunidade", disse ele, em entrevista por telefone de Latakia. "O bairro está dividido - metade está desanimada e subserviente, o resto age como bestas. É deprimente ir lá, é como uma cidade cheia de fantasmas, dividida, com segurança extra por todos os lados."

Pessoas como Abboud dizem que se sentem presas numa terra de ninguém. Banidas por sua própria comunidade alauíta, elas percebem que os islâmicos que dominam partes armadas da oposição as observam com suspeita assassina. Poucos da oposição foram mortos.

No outro extremo estão os alauítas que criticam Assad por ser demasiadamente fraco, dizendo que seu pai e predecessor como o presidente, Hafez Assad, já teria acabado com a ameaça a essa altura.

Com jovens alauítas morrendo às centenas para defender o governo, muitos fazem perguntas como: "Por que o governo não está fazendo o suficiente para nos proteger?"

Por Neil MacFarquhar

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