Hábitos do subúrbio americano invadem Nova York

Moradores do subúrbio que se mudam para Manhattan também encontram minigolfe, cinema multiplex, cadeias de hotéis e noite de jogos em bar

The New York Times |

Como alguém que cresceu em um subúrbio americano, tenho uma queda por tudo o que me lembra esses locais. Os estádios com seus shows de rock, os shopping centers, os supermercados imensos e os jardins das casas, motivos de competição entre os vizinhos. Mas quando me mudei para Nova York, o fiz porque queria poder viver como os nova-iorquinos. Ultimamente, porém, notei que algo estranho acontece nesta cidade: os subúrbios estão se infiltrando em Manhattan.

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Homens jogam minigolfe no Greenwich Village, em Nova York (26/05)

Não apenas na Times Square, onde agradar todos os turistas é uma tradição antiga. Os subúrbios parecem estar por toda parte, dos campos de minigolfe no Village às gaiolas de prática de beisebol no Upper West Side. Há tênis de mesa na Park Avenue, um Applebee's no Harlem e hóteis no melhor estilo beira de estrada, como o Comfort Inn, no Lower East Side. Cinemas multiplex se tornaram mais comuns do que cinemas de arte. Se não fosse por todos os prédios e buzinas, você poderia facilmente confundir Manhattan com qualquer subúrbio americano durante a noite.

Então, o que está acontecendo aqui? A ideia de viver em uma cidade grande não era exatamente poder fazer coisas de cidade grande? Frequentar museus, assistir musicais na Broadway e comer em restaurantes chiques?

Pode haver uma explicação populacional: a cidade está sempre sendo reabastecido por pessoas como eu, que vêm de ambientes menos urbanos, e nós trazemos nossas próprias tradições culturais.

Todos os anos parecem trazer uma nova moda - paintball, bingo - criada a partir de um anseio por um conforto kitsch, cool e nerd para a antiga alma suburbana. Mas minigolfe? Acho que as crianças podem estar por trás disso.

E a diversão não sai barato. Descobri que meia hora numa gaiola de beisebol custa pelo menos US$ 50, enquanto uma rápida passada por um clube de tênis de mesa subterrâneo na Rua 23 custou mais que o dobro disso.

É verdade que alguns desses entretenimentos suburbanos sempre existiram. O boliche, por exemplo, nunca deixou essa cidade, apesar de ser tão cafona.

Fiquei intrigado com tudo isso. Manhattan está ficando cafona? O subúrbio está na moda? Ou talvez seja apenas uma constante: a necessidade de algo novo para fazer.

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Homens jogam minigolfe no Greenwich Village, em Nova York (26/05)

Com isso em mente explorei os prazeres suburbanos da cidade, acompanhado em grande parte desta aventura por meu filho Jake, 7 anos. Tudo começou como a maioria dos fins de semana suburbanos: no shopping.

O Shopping Manhattan na Herald Square não tem cinema, praça de alimentação ou salão de jogos. Portanto, na minha humilde opinião, não é um shopping muito bom. No entanto, ao entrar no local numa sexta-feira recente, lá estavam o aroma inconfundível de ar reciclado e varejo, e o fluxo constante de clientes a transitar por lojas como Foot Locker, Victoria Secret's e JC Penney.

Depois, segui sozinho para a noite de trivia, um jogo de perguntas e respostas em grupo que geralmente acontece em um bar. Achei um no Blondies, um bar na Rua 79, onde conheci Ed Nescot e seus amigos. Nescot, um cinegrafista de 32 anos, disse que eles decidiram fazer isso todas as sextas-feiras, normalmente deixando suas esposas e namoradas com a noite livre.

"Sugerimos que elas formassem seu próprio time para nos desafiar", disse Sam Carner. "Mas pensamos que isso poderia acabar mal para todos."

Experimentamos outras iguarias suburbanas ao longo do fim de semana e cheguei a outra teoria: talvez a mania suburbana seja apenas uma questão de nostalgia para aqueles dias que, como muitos de nós, trabalham demais.

Entramos num táxi e seguimos para casa observando as belezas do Lincoln Center e outras das principais atrações da cidade. Então percebi a melhor parte desta aventura suburbana em Manhattan: não ter que dirigir de volta para casa.

Por Jesse Mckinley

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