Imigrantes mantêm vivo mercado de aluguel de VHS em Nova York

Na era do streaming e do blu-ray, nostalgia e fatores culturais levam estrangeiros que vivem na cidade a se prender ao videocassete

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Imigrantes sul-coreanos entram e saem da Locadora Hwang Jae no Queens, em Nova York. As novelas de seu país de origem são as produções mais populares, principalmente "Mamãe Burra" e "Vida Deliciosa".

Mas estes clientes não alugam DVDs. Eles ainda preferem seus filmes e programas de televisão no videocassete.

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Young Woo Kim, que atribui ao VHS cerca de 30% do faturamento de sua videolocadora em Nova York (28/04)

Milhares de fitas VHS podem ser vistas nas prateleiras da locadora. Outras milhares estão empilhadas em pilhas organizadas no chão. "Sou antiquada", explicou Youngae Park, 66, enquanto escolhia três fitas para a semana.

Na era de transmissão online e blu-ray, as fitas VHS ainda prevalecem nas comunidades de imigrantes de Nova York.

A sobrevivência do formato pode denotar certa frugalidade, especialmente entre os imigrantes mais velhos, que parecem mais relutantes em abraçar o consumismo descartável advindo da crescente modernização dos Estados Unidos. Por que adotar a tecnologia de hoje? Essas fitas velhas funcionam muito bem.

"Os imigrantes valorizam aquilo que não tiveram", disse Orlando Tobon, um líder da comunidade colombiana de Jackson Heights, Queens, que dirige uma agência de viagens. "Por isso, continuam usando tudo o que ainda funciona.”

No Harlem, uma loja senegalesa contém um amplo inventário de filmes da indústria cinematográfica africana, e pelo menos duas lojas no Queens, cujos donos têm origem no Paquistão e em Bangladesh, oferecem filmes de Bollywood, a Hollywood da Índia, em videocassete para a grande população asiática da região. 

Latinos com uma preferência persistente pelo formato optam por alugar suas fitas na loja de um peruano em Jackson Heights. Em entrevistas, os donos destes estabelecimentos disseram que o aluguel e venda de VHS, embora agora representem apenas uma pequena fatia de seus negócios, são sustentados por imigrantes mais velhos, que parecem menos inclinado do que os jovens a adotar novas tecnologias.

Um imigrante sul-coreano chamado Choi Jesook, 60, outra cliente da locadora Jae Hwang, disse possuir um aparelho de DVD que nunca sequer usou.

"Sempre que quero ver algo, não consigo usá-lo", disse Choi, enquanto alugava dois dramas da televisão coreana. De qualquer forma, acrescentou, usar fitas VHS "parece uma espécie de antiga tradição coreana".

Mas a sobrevivência do formato parece caber tanto aos proprietários das lojas quanto a seus clientes. Embora os donos se queixem de ter milhares de fitas que ocupam espaço demais nas prateleiras, e tenham problemas para vender os vídeos mesmo por US$ 10 centavos cada, eles relutam em tomar o caminho mais fácil para a libertação.

"Jogá-los fora?", questionou Sangotte Mamadou, 55, proprietário da Locadora Yatt Ndyndory no centro de Harlem.

Desde 1998, Sangotte opera a pequena loja na Avenida Lenox. Fitas de vídeo como "Bad Boys 2" e "Clube dos Bilionários 3", da Nigéria, foram relegados àS prateleiras superiores. Mas pensar em jogá-las fora o deixa perplexo.

"Como poderia fazer isso?", pergunta.

Sangotte e outros lojistas afirmam que enquanto houver possibilidade de qualquer lucro, ainda que pequeno, eles aguentarão a desordem.

"O lucro é praticamente nenhum", disse Constantino Matsoukas, 65, proprietário da Video Express em Astoria, Queens. "Mas não vou jogá-los fora. Não vou fazer isso."

Por Kirk Semple

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