Japão tem desafio de prosperar sem energia nuclear

Com reatores desativados após crise de Fukushima, país será quase totalmente dependente de combustíveis fósseis estrangeiros

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Em maio o Japão desativou o último de seus 54 reatores nucleares. Não se sabe se algum deles será reativado em algum momento, mas uma coisa é certa: enquanto estiver sem energia nuclear, o Japão será quase totalmente dependente de combustíveis fósseis importados.

O Japão tem a terceira maior capacidade energética nuclear no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e França. Pouco antes do devastador terremoto seguido de tsunami que atingiu o país em março de 2011, a energia nuclear era a fonte de cerca de 30% da eletricidade do país. Energia hidrelétrica e outras fontes de energia renováveis representam menos de 10%. O resto vinha de combustíveis fósseis - a grande maioria de países estrangeiros, já que o Japão tem poucos recursos próprios.

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Funcionários trabalham em fábrica de Higashiosaka, no Japão (16/02/2011)

A forte dependência do Japão em relação ao petróleo estrangeiro foi exposta como uma grande vulnerabilidade do país em 1973, quando países produtores de petróleo do Oriente Médio impuseram um embargo. Para ajudar a proteger a si mesmo contra problemas futuros, o país acelerou seu programa nuclear, que teve início na década de 1950.

Ainda assim, mais da metade da energia do país em 2010 advém de petróleo, cerca de 85% dele importado do Oriente Médio. A dependência do Japão em petróleo do Oriente Médio mudou ao longo do tempo, caindo para menos de 70% após as crises do petróleo e, em seguida, voltando a subir porque países de outras regiões, como China e México, começaram a reduzir as exportações de petróleo cru.

Desde março de 2011, a geração de energia nuclear no Japão tem estado gradualmente em declínio e o país a tem substituído por combustíveis estrangeiros. O Instituto de Economia Energética do Japão estima que o país tenha gastado US$5 0 bilhões a mais na importação de combustíveis fósseis no ano fiscal de 2011 (US$ 30 bilhões para a geração de eletricidade). Isso significa que emitiu cerca de 2% mais dióxido de carbono neste período do que em 2010 - ao mesmo tempo em que produziu menos energia.

Caso seus reatores permaneçam inativos neste ano, prevê o Instituto de Economia Energética, o Japão vai gastar cerca de US$ 60 bilhões a mais do que em 2011 em petróleo, gás natural e carvão estrangeiros. As emissões de dióxido de carbono podem aumentar 5,5%.

Por Mike Orcutt

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