Prisão de militares mexicanos aumenta desconforto sobre guerra contra tráfico

Cresce preocupação do governo americano sobre relações próximas entre Exército do México e cartéis de drogas

The New York Times |

O maior caso de corrupção militar do México nos últimos anos piorou o relacionamento já desgastado entre agentes da lei americanos e militares do Exército mexicano, a instituição considerada mais confiável para lutar na guerra contra as drogas.

O caso envolve a prisão de quatro ex-oficiais de alta patente do Exército, incluindo um ex-subsecretário da Defesa, que são suspeitos de passar informações para o cartel de drogas Beltran Leyva em troca de dinheiro. Para alguns americanos, as prisões confirmaram uma antiga cautela em relação ao Exército e despertaram preocupações sobre quão intima era sua relação com o cartel, um dos principais grupos traficantes de cocaína para os Estados Unidos.

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Uma suposta vítima de guerra do tráfico é vista na famosa praia de Caleta, na mexicana Acapulco (4/3/2012)

A exasperação americana chegou ao auge em 2009, quando o Exército mexicano deixou de agir a respeito de informações de inteligência obtidas pelos Estados Unidos sobre o líder do Beltran Leyva. Os americanos pediram ajuda à Marinha do México e o ataque que se seguiu serviu de publicidade para a Marinha quando o líder do cartel foi morto.

Uma reunião foi realizada no ano passado entre agentes da lei americanos e comandantes do Exército mexicanos para tentar resolver suas diferenças, mas ela terminou abruptamente. "Foram basicamente 15 minutos, olá e adeus", disse um oficial com o conhecimento da reunião.

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A reunião foi supostamente prejudicada por problemas advindos do vazamento de dossiês diplomáticos do embaixador americano na época, Carlos Pascual, que desabafou sobre a recusa do Exército em ir atrás do cartel Beltran Leyva mais agressivamente. Autoridades mexicanas, incluindo o presidente Felipe Calderón, ficaram indignadas, e Pascual eventualmente renunciou.

Agora, a prisão de três generais e um tenente-coronel acusados de complementar seus salários com os lucros das drogas abalou o corpo de oficiais.

"A Drug Enforcement Agency (Agência de Combate aos Narcóticos, em tradução livre) vai lidar com policiais mexicanos, não com militares", disse Michael Braun, chefe de operações da agência. Ele citou uma série de casos de corrupção relacionados ao Exército do país, incluindo a condenação em 1997 de um ex-general que havia se transformado em um czar das drogas.

Ainda assim, as autoridades americanas disseram estar perplexas sobre os motivos da prisão destes oficiais militares agora, depois que três deles, incluindo Tomas Dauahare Angeles, ex-subsecretário da Defesa, deixaram o Exército.

Não ficou claro, segundo as autoridades americanas, se havia motivo real ou se a urgência meramente refletia o tumulto que pode estar abalando o Exército antes da eleição presidencial de julho e a possível indicação de um novo líder para o Ministério da Defesa. Procuradores locais não têm falado muito sobre o caso.

O Exército tem desempenhado um papel central, ainda que relutante na ofensiva de Calderón contra o tráfico de drogas, que começou em 2006.

Cerca de 50 mil soldados se espalharam por todo o país, enfrentando traficantes, apreendendo laboratórios de drogas e queimando cultivos de maconha, geralmente substituindo policiais locais muitas vezes corruptos ou mal preparados para fazer seu trabalho.

Por Randal C. Archibold

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