Nos EUA, leis restringem circulação de agressores sexuais

Em algumas regiões do país, condenados por abusos não podem surfar, pescar ou frequentar praias e parques

The New York Times |

Condenados por crimes sexuais estão proibidos de surfar na praia mais famosa de Huntington, na Califórnia. Não muito longe dali, em Dana Point, eles foram proibidos de pescar no porto.

E se eles circularem por um parque público em Mission Viejo, poderão ser presos novamente por seis meses, após uma votação realizada pelo conselho da cidade este ano para bani-los de uma série de locais públicos nos quais crianças se reúnem.

"Precisamos proteger nossas crianças", disse o procurador distrital do Condado de Orange, Tony Rackauckas, à Câmara Municipal de Mission Viejo. "O perigo é muito real."

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NYT
Greg Bird, que foi condenado por crime sexual, senta em parque ao qual não pode ir em Anaheim, Califórnia (18/05)

O Condado de Orange encontra-se no epicentro de uma nova onda de leis que restringem a circulação de criminosos sexuais. O governo do condado e uma dúzia de cidades da região proibiram criminosos sexuais até mesmo de pisarem em parques, praias e portos públicos, fazendo com que quase metade dos parques do Condado de Orange estejam fora dos limites para eles. Mais dez cidades estão considerando aprovar uma legislação parecida.

E o condado de Orange está longe de estar sozinho. Nos últimos anos, as comunidades ao redor de todo o país têm ido além dos limites de onde os criminosos sexuais podem viver e começaram a proibi-los completamente de circular por locais públicos.

A proliferação de tais restrições reflete as preocupações dos pais e dos legisladores a respeito da reincidência de agressores sexuais. Mas a implementação dessas restrições também tem levantado questões sobre a sua eficácia, assim como sua justiça.

Opositores têm rejeitado estas "zonas de segurança para crianças" como impossíveis de serem vigiadas. Para eles, tais áreas são projetadas para dar aos políticos uma fama de rígidos na luta contra o crime, e não para fazer com que as crianças estejam mais seguras.

"Estas são leis ineficazes e de fácil aprovação, já que fazem com que as pessoas se sintam bem", disse Charles P. Ewing, autor do livro Justice Perverted: Sex Offense Law, Psychology, and Public Policy " (Justiça Pervertida: A Lei, Psicologia e Política Pública de Crimes Sexuais", em tradução livre).

Até agora, as proibições levaram apenas a três condenações em todo o município. Ainda assim, Rackauckas disse estar convencido de que as leis estavam servindo como um impedimento contra os criminosos sexuais. "Não vamos saber quantas crianças deixaram de ser molestadas como resultado da lei", disse.

No parque La Bonita, em La Habra, a maioria dos pais apoia a proibição. "Hoje me sinto muito mais segura ao trazer meu neto dedois anos para o parque ", disse Barbara Bellen, 51.

Por Ian Lovett

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