'Super PACs' transformam campanhas e atuação política nos EUA

Comitês de arrecadação independentes têm liberdade para fazer campanha suja por candidatos e são motivados pela agenda dos grandes doadores

The New York Times |

A intensidade com a qual doações são feitas para grupos políticos externos não apenas estão apenas transformando as campanhas, mas também o mundo da política como um todo.

Antigamente, as campanhas presidenciais eram consideradas de curta duração, mas hoje elas se tornam cada vez mais longas e mais intensas, impulsionadas por doadores ansiosos em ver seus candidatos operando durante todo o ciclo político.

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AP
Republicano Mitt Romney participa de atividade em escola na Filadélfia em 24/5. Ex-assessores ajudam campanha atualmente do lado de fora, pelos Super PACs
Super PACs: Campanhas dos EUA dependem cada vez mais de comitês de arrecadação

As decisões sobre anúncios políticos com ênfase no ataque a outros candidatos e aqueles que contêm publicidade negativa, que eram uma preocupação para os candidatos, atualmente são feitas por consultores e doadores com pouca ou quase nenhuma responsabilidade com o público.

E para um crescente número de estrategistas e agentes de ambos os partidos, a própria essência do que significa trabalhar com política mudou. Uma vez comprometidos com as carreiras e os objetivos de candidatos individuais, hoje eles são motivados pelas agendas dos grandes doadores que financiam seus gastos externos.

À medida que se aproxima a primeira campanha presidencial desde que a Suprema Corte abriu as portas para as Super PACs (comitês de ação política independentes que podem arrecadar e gastar quantias ilimitadas durante as campanhas) e permitiu gastos ilimitados para as campanhas, a maneira como os eleitores responderão ainda não está clara. Mas os profissionais da política que dependem dos bilhões de dólares gastos nas campanhas feitas durante cada ciclo rapidamente abraçam essa mudança.

"Acredito que, no final, tudo isso tem a ver com dinheiro", disse Matt Mackowiak, um consultor republicano que trabalha na Let Freedom Ring, um grupo que deve gastar US$ 20 milhões em propaganda política neste ano. "Se você é um consultor de alto escalão hoje em dia, é melhor ter uma Super PAC presidencial como cliente do que uma campanha presidencial."

A transformação chamou a atenção na semana passada com a revelação de que Fred Davis, um proeminente estrategista de publicidade republicano, buscou financiamento de um bilionário conservador para comerciais de US$ 10 milhões que ligavam o presidente Barack Obama com os sermões do reverendo Jeremiah A . Wright Jr. , ex-pastor do atual presidente americano. A proposta foi rejeitada pelo comitê presidencial de Mitt Romney, que vem tentando manter o foco na economia.

Ao contrário dos partidos políticos e dos candidatos, os Super PACs e outros grupos externos podem aceitar contribuições ilimitadas, em parte graças à decisão da Suprema Corte aprovada em 2010 . Eles não têm escritórios de campo e poucos funcionários pagos e gastam praticamente todo seu dinheiro em propaganda política. Para os mais conhecidos agentes políticos, os Super PACs oferecem o mesmo impacto que o desenvolvimento de um projeto de campanha, porém sem algumas das dores de cabeça.

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Existem sinais de que a influência desses grupos externos continuará a crescer este ano e se estenderá até as disputas para o Congresso assim como para outras batalhas políticas, muitas vezes por meio do surgimento de organizações criadas pelos consultores com o intuito de unir um doador específico com um candidato.

O maior gasto por parte de uma Super PAC este ano foi na primária presidencial republicana, quando grupos externos atraíram muito dos melhores talentos do mercado da política.

Em vez de trabalhar na campanha de Romney, vários assessores e captadores de recursos de sua campanha presidencial de 2008 formaram a Restore Our Future, um Super PAC que visa a gastar mais de US$ 100 milhões neste ciclo eleitoral. Dois dos assessores, o estrategista político Carl Forti e o consultor publicitário Larry McCarthy, também estão envolvidos com a American Crossroads, um Super PAC que espera gastar até US$ 300 milhões este ano.

Durante metade do mês de maio, o Super PAC Restore Our Future gastou mais de US$ 44,5 mil em publicidade, mala direta e outros tipos de publicidade, aproximadamente o dobro do que a campanha de Romney gastou durante o mesmo período.

Os Super PACs também oferecem vantagens para os doadores. Como podem doar quantidades ilimitadas para grupos externos, podem exercer uma influência significativa sem necessariamente ter de fazer o trabalho árduo de arrecadar dinheiro para um candidato.

E os Super PACs lhes permitem gastar em estratégias de publicidade específicas, uma mudança que pode deixar alguns candidatos menos dependentes de comitês partidários para decidir se conseguiriam obter o suporte publicitário de que precisam.

"Você não pode simplesmente ir ao Comitê Nacional Republicano do Senado e dizer: 'Aqui está o meu cheque. Quero que ele vá para essas disputas específicas", disse um consultor que trabalha com grupos externos. "No caso dos Super PAC, você pode."

Por Nicholas Confessore

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