Motoristas e ciclistas aprendem a coexistir em Los Angeles

Evento em cidade famosa por imensa quantidade de carros fecha ruas para que bicicletas circulem livremente

The New York Times |

Era uma manhã quente de abril e no centro de Los Angeles não havia nenhum carro nas ruas. Durante cinco horas, as ruas foram comandadas por quase 100 mil ciclistas - velhos e jovens, vestindo roupas de lycra ou chapéus estranhos, carregando cachorros ou bebês em cestas acopladas ao guidão. A celebração criou uma visão que teria parecido inconcebível numa cidade tão comumente dominada por carros.

Foi a quarta vez que Los Angeles fechou suas ruas para o evento conhecido como CicLAvia. Atualmente, a cidade tem passeios noturnos, passeios pela Zona Leste, passeios de mulheres e de nudistas - quase diariamente há algum tipo de passeio de bicicleta pela cidade.

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NYT
A quarta edição do CicLAvia, evento no qual ruas de Los Angeles, nos EUA, são fechadas para carros

Nos últimos 18 meses, cerca de 40 quilômetros de ciclovias e pistas foram criados e o Conselho Municipal aprovou uma medida para evitar que os ciclistas sejam assediados por motoristas de veículos motorizados.

Numa noite recente, os motoristas enfrentaram quase sem reclamar um engarrafamento provocado pela travessia incessante de ciclistas pelo cruzamento do Boulevard Wilshire com uma escolta policial.

Em 15 de maio houve uma "Bênção dos Ciclistas" - com um rabino e um padre com água benta - diante do Hospital Bom Samaritano, que tratou muitos ciclistas feridos em acidentes ao longo dos anos. A bicicleta deixou de ser o transporte de mensageiros do centro da cidade e ousados kamikazes do trânsito.

Entre seus defensores estão os descolados que frequentam a cooperativa de reparos de bicicletas conhecida como Bicycle Kitchen (que está prestes a se mudar para um prédio maior) e usuários da classe média que trafegam por ciclovias nas praias de Venice e Santa Monica.

Existem ciclistas que gostam de chocar as pessoas ao se vangloriar por não possuir um carro. E o prefeito Antonio R. Villaraigosa, que quebrou o cotovelo em um acidente de bicicleta envolvendo um táxi e desde então se tornou um dos maiores defensores do ciclismo, quer retomar um plano que reconheceu ter "ficado um pouco de lado".

Villaraigosa quer que a cidade estabeleça 40 quilômetros de ciclovias por ano, uma política inspirada pelo seu próprio "desagradável acidente" ao tentar se esquivar de um táxi e parte de esforços para diminuir o uso de carros na região. "Não há dúvida: o uso de bicicletas aumentou dramaticamente em Los Angeles", disse ele. "Você vê isso em toda a cidade."

Por Adam Nagourney

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