Falta de segurança é principal preocupação no Egito

Após queda de Mubarak, moradores vivem em meio à onda de criminalidade e aparente apatia da força policial

The New York Times |

Algumas áreas do rodoanel que circunda a capital do Egito, Cairo, se transformaram praticamente em terras de ninguém, intransitáveis a qualquer horário. Sequestros e assaltos a bancos se tornaram comuns na cidade e mulheres relatam agressões sexuais por parte de motoristas de táxi em plena luz do dia.

Ao redor do país, os sequestradores estão ficando cada vez mais ousados: roubam os celulares de suas vítimas e pedem que liguem em seu próprio número para negociar a devolução de seus carros.

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Kareem, 7, e Ibrahim, 10, foram sequestrados e depois devolvidos aos pais em Abu Hammad, no Egito (22/05)

A sensação generalizada de impunidade é a maior mudança na vida dos cidadãos do Egito desde a revolução que derrubou Hosni Mubarak e a questão mais discutida durante a disputa presidencial . Este tipo de criminalidade quase não existia quando a polícia controlada pelo Estado era mais imponente.

Todos os candidatos à presidência prometeram tornar a questão da segurança sua prioridade - comprometendo-se a fazer a polícia voltar a exercer seu trabalho, restaurar a sua moral e ensiná-los a ter mais respeito em relação aos direitos humanos.

Em Sharqiya, um reduto islâmico, alguns culpam a onda de crimes na "falta de consciência religiosa", disse Mahmoud al Herawy, 51, um membro do partido ultraconservador Al Nour, que apoia o candidato liberal islâmico Abdel Moneim Aboul Fotouh.

Alguns dizem que os policiais egípcios conhecem apenas dois extremos: a brutalidade excessiva que costumavam exercer ou a abordagem mais discreta que adotaram desde a revolução.

Outros dizem que a falta de um policiamento mais rígido é uma grande conspiração para espalhar uma onda de nostalgia em relação ao governo autoritário deposto.

Said Sadek, um professor de sociologia da Universidade Americana no Cairo, argumentou que as forças de segurança do país decidiram fazer uma greve não declarada em protesto contra seu indiciamento público, em referência à repressão adotada no passado.

"O Ministério do Interior está tentando punir o povo", disse. "É como se dissessem: 'Vocês queriam revolução? Então agora vocês a tem!'"

Por David D. Kirkpatrick

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