Mugabe tenta ganhar popularidade pressionando por direitos dos negros

Líder do Zimbábue exige que empresas estrangeiras cumpram lei segundo a qual maioria das ações têm de ser de zimbabuanos negros

The New York Times |

Mais de uma década depois de o governo do Zimbábue começar a confiscar fazendas comerciais de proprietários brancos, o país está diante de uma nova disputa sobre quem se beneficiará de seus generosos recursos de platina, cromo, níquel e diamantes.

Em uma medida política, o partido do presidente Robert G. Mugabe já começou a pressionar as empresas que operam no país para cumprir uma lei que exige que os zimbabuanos negros sejam donos de mais da metade de suas ações.

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O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, participa de celebração no estádio de Harare (18/04/2012)

Mugabe governa o país desde a sua independência, em 1980, mas viu sua popularidade diminuir consideravelmente nos últimos anos. Ele recebeu menos votos do que a oposição na eleição de 2008 e foi forçado a um governo de partilha de poder pela violência que se seguiu. À medida que Mugabe se prepara para outra eleição este ano, o esforço para colocar mais riqueza nas mãos dos zimbabuanos negros é visto pelos aliados como um caminho politicamente popular para a vitória.

Autoridades de alto escalão do partido de Mugabe, o ZANU-PF, afirmam que os estrangeiros que operam no interior do país não devem ter permissão para lucrar às custas dos negros locais.

"Os zimbabuanos devem ser mestres de seu próprio destino", disse Salvador Kasukuwere, o ministro do partido ZANU-PF responsável por supervisionar o processo conhecido como indigenização. "A indigenização é uma característica fundamental dos valores do nosso partido: Liberdade, Igualdade, Paz".

Segundo a lei de indigenização do Zimbábue, os zimbabuanos negros devem possuir 51% das ações de empresas estrangeiras que operam no país. Cerca de 20% das ações devem ir para fundos comunitários de confiança, que em teoria pagarão por projetos de desenvolvimento local, e funcionários da empresa. O restante deve ir para zimbabuanos negros.

Mas não está claro como estas metas devem ser cumpridas. Muitas dessas empresas são de capital aberto e suas ações não pertencem às empresas para que sejam distribuídas como manda a lei. Além disso, poucos zimbabuanos negros têm condições de comprar ações a valor de mercado.

Também não está claro se os fundos comunitários simplesmente representam um substituto para programas existentes de responsabilidade corporativa.

Analistas e o partido da oposição, o Movimento para a Mudança Democrática, afirmam que a nova lei, aprovada em 2010, mas aplicada somente no ano passado, é um desastre que desencoraja a criação de empregos e a expansão da economia. Muitos temem que os ricos apoiadores do ZANU-PF vão colher a maioria dos benefícios da lei.

"O que eles querem fazer é transferir a riqueza dos ricos brancos para os ricos negros", disse Tendai Biti, ministro das finanças do Zimbábue e líder do partido da oposição. "Nenhuma riqueza será criada, nenhum emprego será criado."

Por Lydia Polgreen

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