Fé mórmon de Romney é discreta, mas profunda

Apesar de esforço para deixar religião fora da campanha, amigos do político dizem que igreja influenciou sua conduta e pensamento

The New York Times |

Quando Mitt Romney embarcou na vida política, em 1994, ele também assumiu seu primeiro papel na congregação mórmon que posteriormente liderou. Nas manhãs de domingo, ele lecionava sobre a escritura para adultos em uma capela iluminada em Belmont, Massachussetts.

Contando aos alunos as histórias sobre Jesus e as tribos nefitas e lamanitas, que os mórmons acreditam ter povoado as Américas, Romney sempre voltava para a mesma pergunta: como os alunos poderiam aplicar as lições religiosas em sua vida diária?

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O pré-candidato republicano à presidência dos EUA Mitt Romney faz campanha em Cedar Rapids, Iowa (09/12/2011)

Agora, como o provável candidato republicano à presidência, Romney fala tão pouco sobre sua fé, que é difícil entender qual influência ela tem sobre sua personalidade.

Mas dezenas de amigos de Romney, membros de sua igreja e colegas descrevem um homem que tem a fé como base de sua vida. A igreja não é sua única influência e seu impacto não pode ser totalmente separado de sua família, que também é profundamente mórmon.

Mas "se você raspar todas as camadas superficiais", no fundo ele é um fiel, disse Randy Sorensen, que frequentava a mesma igreja que Romney.

Quando era um jovem consultor, ele chegava antes dos outros no escritório, fazendo dele um "deseret", termo do Livro dos Mórmons que designa um trabalhador iaplicado como uma abelha. O casamento de Mitt e Ann Romney é forte porque eles acreditam que vão viver juntos em uma vida eterna após a morte, explicam os amigos, o que os motiva a resolver os conflitos.

A tendência de Romney a gostar de regras espelha a própria igreja, onde ele já excomungou adúlteros e desencorajou mulheres de trabalhar fora de casa. Ele pode ter muitas razões para abominar a dívida, querer limitar o poder federal, promover a autossuficiência e salientar o destino único dos Estados Unidos, mas estes também são traços tradicionalmente mórmons.

Longe dos holofotes, Romney pode ser mais ostensivo sobre sua fé histórica: cantando hinos ("O amigo que temos em Jesus") enquanto cavalga, jejuando nos dias certos e encontrando uma congregação mórmon para o culto nos domingos, não importa onde esteja.

Clayton M. Christensen, professor de negócios da Universidade de Harvard e um amigo da igreja, disse que a pergunta que ele fazia nas aulas dominicais - como aplicar o evangelho Mórmon no mundo - também impulsiona a vida de Romney. "Ele só precisa saber o que Deus quer que ele faça e como o fará", disse Christensen.

Por Jodi Kantor

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