Cidade da Colômbia cresce juntamente com suas esperanças

Antes famosa por homicídios e cocaína, Medellín agora chama atenção por projetos urbanos ambiciosos

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Há algum tempo, quando arquitetos e urbanistas são questionados sobre provas do poder da arquitetura pública e do espaço público para reconstruir uma cidade, eles apontam para Medellín.

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Crianças pulam corda durante aula no Centro de Desenvolvimento Cultural de Moravia em Medellín, Colômbia
Para cima: Favela de Medellín ganha escada rolante de 384 metros

Há cerca de 20 anos, esta era a cidade de Pablo Escobar, com uma taxa anual de homicídios beirando a 381 para cada 100 mil habitantes. Mas a segunda maior cidade da Colômbia se transformou em um centro empresarial com uma população de 3,5 milhões e uma indústria turística florescente, com o orgulho cívico impulsionado pelos novos prédios e praças públicas, e exemplificado por um sistema de metrô e bondes elétricos eficiente e imaculado.

Ligando bairros ricos a pobres e estimulando o desenvolvimento privado, o metro é para moradores de Medellin um símbolo da renovação democrática. Mesmo na hora do rush, a multidão se afasta para deixar uma mulher da limpeza esfregar o chão.

A cidade instalou recentemente uma escada rolante em um morro ainda disputado por gangues rivais, ao custo de US$ 7 milhões e desconectado do resto do sistema de transporte da cidade, mas minimizando os desafios diários de seus cerca de 12 mil moradores.

Cheguei à Medellín para ver os edifícios ambiciosos e fotogênicos que subiram pela cidade, mas também para encontrar tudo o que falta ser feito. A taxa de homicídios, embora dificilmente baixa, agora é de 60 para cada 100 milhabitantes.

A arquitetura por si só, obviamente, não é responsável pela queda no número de homicídios, mas as duas têm uma relação.

Em todo o mundo, os seguidores da arquitetura com A maiúsculo concentraram a sua atenção em experiências formais, como se a estética e o ativismo social, preocupações modernistas, fossem mutuamente excludentes. Mas Medellín é a prova de que não são e não devem ser. A arquitetura, aqui e em qualquer outro lugar, funciona como uma parcela da ecologia econômica e social, ou então opta por ser um luxo, sem sentido, exceto para si mesma.

A história da evolução de Medellín não foi tão rósea nem tão direta quanto os fãs da nova arquitetura gostariam de retratá-la. Ela geralmente é contada como um triunfo de Sergio Fajardo, filho de um arquiteto que é o governador da região e que foi o visionário prefeito da cidade entre 2004 e 2007. Ele pressionou por uma agenda que conectou educação e desenvolvimento comunitário à infraestrutura e arquitetura.

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Medellín, Colômbia, vista de um teleférico (11/5/2012)
O que destaca Medellín é a força particular de sua cultura de urbanismo, que agora funciona quase como um cartão de visitas. O novo prefeito da cidade, Aníbal Gaviria, passou uma hora descrevendo-me seu sonho de enterrar uma avenida congestionada que atravessa o centro da cidade, colocando bondes elétricos ao longo das encostas para conter a expansão das favelas, adicionando um cinturão verde de edifícios públicos ao longo dos trilhos, reabilitando o rio Medellín e apostando no adensamento do centro da cidade - melhorias inteligentes e de espírito público.

"Uma abordagem holística", é como explicou Alejandro Echeverri, um dos principais arquitetos da transformação da cidade sob o governo de Fajardo.

Para entender o renascimento arquitetônico de Medellin, é preciso compreender o papel da EPM, Empresas Públicas de Medellín, que fornece água, gás, saneamento, telecomunicações e eletricidade na cidade. A empresa é obrigada constitucionalmente a fornecer eletricidade e água potável mesmo aos barracos das favelas ilegais da cidade.

Mais do que isso, os lucros da EPM (cerca de US$ 450 milhões por ano) são direcionados para a construção de novas escolas, praças públicas, parques e metros. Uma das mais belas praças públicas no meio de Medellín foi doada pela EPM. E sobre as favelas da região norte da cidade, a EPM construiu um parque no topo de um morro, ligado ao distrito por seu próprio teleférico.

Federico Restrepo foi presidente da EPM antes de se tornar planejador urbano da cidade no governo de Fajardo. "Assumimos uma postura que determina que tudo está interligado: educação, cultura, bibliotecas, segurança, espaços públicos", disse.

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Escada rolante recentemente instalada (vista de cima) de 300 m transforma uma subida de 30 andares em uma travessia de cinco minutos em Comuna 13 de Medellín, Colômbia
Por Michael Kimmelman

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