Nos EUA, negros com câncer enfrentam calvário por doador

Enquanto 70% dos brancos encontram pessoas compatíveis, menos de 20% dos afro-americanos conseguem doações para salvar suas vidas

The New York Times |

Um mês depois de sua formatura na Faculdade de Direito de Yale, em 2009, Seun Adebiyi descobriu que ele tinha não apenas um, mas dois tipos de câncer letais no sangue. Foi assim que começou sua odisseia para encontrar um doador de medula óssea.

Nova York: Americana é detida por fingir câncer para receber doações

Adebiyi, 28 anos, que foi da Nigéria para os Estados Unidos quando ainda era muito pequeno, fez apelos na sua faculdade, em estações de rádio, em um vídeo publicado no YouTube e até mesmo em uma viagem à sua terra natal para pedir ajuda aos estudantes de direito do país.

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Seun Adebiyi, nascido na Nigéria, descobriu que tinha dois tipos letais de câncer logo após se formar em Yale
Mas seu médico, finalmente, ligou dizendo que uma mulher nigeriana que vivia nos EUA havia doado sangue do cordão umbilical de seu bebê para um "banco de sangue de cordão umbilical" e que as células-tronco presentes no cordão eram parecidas com as suas.

Após sua própria medula - a fonte de seus cânceres – ter sido exterminada, as células do cordão foram infundidas nele no Centro Médico do Câncer Sloan Kettering. Desde então ele está em remissão.

Ajuda

Agora ele está tentando retribuir toda essa ajuda com um esforço que, de acordo com os especialistas, pode salvar as vidas de nigerianos e negros americanos. Em fevereiro, ele ajudou a fundar o registro nacional de medula óssea da Nigéria, o primeiro na África fora da África do Sul. Ele agora está arrecadando dinheiro para iniciar um banco de sangue de cordão umbilical na região.

Milhões de nigerianos apresentam tipos de câncer como leucemia ou linfoma, e cerca de 4 mil afro-americanos morrem anualmente dessas doenças.

Como não têm nenhum banco de sangue, nenhum dos nigerianos conseguia procurar possíveis doadores. "Eu acho que essa ação será um sucesso", disse Adebiyi. "Os registros dos Estados Unidos estão tentando descobrir como poderão aumentar a população de doadores, essa é uma solução na qual eles devem estar interessados".

Para afro-americanos como Adebiyi, encontrar doadores que sejam compatíveis é particularmente difícil. Os negros são menos propensos a se registrar como doadores de sangue e medula. Embora os negros constituam 12,6 % da população, apenas 8% dos doadores cadastrados são negros.

"Existe muita falta de informação a respeito do assunto e uma certa desconfiança do sistema de saúde depois de escândalos como o de Tuskegee", afirmou Shauna Melius, cofundadora da fundação Preserve Nosso Legado, citando o experimento realizado em Tuskegee, Alabama, em que médicos do governo recrutaram agricultores negros e pobres para pesquisar os efeitos colaterais da sífilis não tratada. Sua organização recruta doadores no Hospital do Harlem.

Embora nenhum especialista consiga prever exatamente quantas vidas americanas poderão ser salvas, já que existem muitas variáveis, muitos sugeriram que dezenas de pacientes com câncer seriam beneficiados.

Adebiyi gastou US$ 32 mil de seu próprio bolso na compra de computadores e software para a criação do registro de doadores da Nigéria. Recentemente, ele vem tentando arrecadar dinheiro suficiente para dar início ao banco de sangue de cordão umbilical. Ele estima que o projeto poderia ser iniciado por um valor de US$ 75 mil e custaria menos de US $ 300 mil no total.

O registro nacional de medula óssea da Nigéria foi inaugurado oficialmente em dia 24 de fevereiro.

*Por Donal G. McNeil Jr.

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