Parte da paisagem do Afeganistão, balões espiões causam desconforto

Ferramenta tecnológica de militares americanos, balão de vigilância incomoda afegãos que se sentem oprimidos por suas câmeras de vídeo

The New York Times |

Os comerciantes se agacharam ao lado das muralhas de um antigo forte juntamente com a cabras e ovelhas enquanto conversavam e eventualmente olhavam para o balão acima deles, que se tornou uma espécie de vígia da região.

"Ele está presente todos os dias, exceto em dias de chuva e vento", disse Suleman, 45 anos.

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"Ele nos observa dia e noite", disse outro comerciante, Mir Akbar, 18 anos, enquanto seus olhos seguiam o balão que mudava de direção com o vento.

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Balão militar é visto em base em Cabul, capital do Afeganistão
"Eu o vejo acima de mim o tempo inteiro", contou Rahmat Shah, 28 anos, um vendedor de carros usados que estava um pouco mais longe do que os outros homens. "Eu sei que há uma câmera instalada nele."

O balão de vigilância branco de 35 metros de comprimento, chamado de aeróstato pelos militares americanos, e outros parecidos com ele são encontrados em quase todas as bases militares do país e se tornaram figuras carimbadas nos céus de Cabul e Kandahar, assim como em qualquer outro lugar no qual os Estados Unidos tenham interessadas em vigiar.

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Sobrevoando os locais a cerca de 457 metros de altura em plena luz do dia, ou visível como uma única luz piscando à noite, os balões, com câmeras de vídeo em infravermelho e a cor, são elementos centrais na mudança que as Forças Armadas Americanas vêm fazendo para melhorar o uso da tecnologia a seu favor.

Dispositivos

Recentemente, eles se tornaram parte de uma rede crescente de dispositivos – aviões não tripulados, torres de vigilância nas bases militares e uma nova rede de câmeras de circuíto fechado que monitoram as ruas de Cabul - que permitiram que os comandantes americanos e afegãos vigiassem de uma maneira mais eficaz os locais onde os americanos estão em combate.

Os balões se tornaram algo tão comum no dia a dia do cidadão afegão que algumas pessoas da região dizem que já não prestam mais atenção na presença deles.

Mas outros afegãos os descrevem como um símbolo da opressão, que geram uma sensação de que mesmo quando os americanos se preparam partir, esses vigilantes estão sempre de olho neles.

Muitas vezes, quando as equipes responsáveis pelos balões os recolhem, seja para manutenção ou para protegê-los das tempestades, explicou Eddy Hogan, que administra os aeróstatos, eles encontram buracos de bala em diferentes partes dos balões.

O tamanho dos balões e o fato de o hélio não ser explosivo, significa que eles podem permanecer no ar mesmo com pequenos buracos de balas.

"Dá para perceber que eles não gostam da presença dos aparelhos quando nós os trazemos de volta e vemos centenas de buracos de bala neles", disse. "Mas é preciso centenas e centenas de tiros para derrubá-los."

*Por Graham Bowley

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