Sudão do Sul e Sudão se mobilizam para mais conflito na fronteira

Jovens do sul se alistam para serem soldados da linha de frente, enquanto moradores doam alimentos e dinheiro para forças militares

The New York Times |

Em uma tarde recente, a aldeia de Mayom Wel, no Sudão do Sul, dançava ao ar livre. As mulheres caminhavam carregando cadeiras sobre suas cabeças. Crianças descalças brincavam nas ruas. Idosos com a pele seca pelo sol disparavam seus rifles em direção ao céu.

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"Contribuam com alimentos, contribuam com dinheiro", solicitava o comissário local Awet Kiir Awet.

AP
Moradores passam por mercado destruído em Rubkona, perto de Bentiu, no Sudão do Sul (23/4)
Os conflitos do Sudão do Sul deveriam ter acabado quando o país conquistou sua independência do Sudão em julho, depois de anos de luta contra o povo do norte. Mas a alegria desapareceu rapidamente e agora, menos de um ano depois, essa nação subdesenvolvida está mais uma vez se preparando para guerra - e pedindo para que algumas das pessoas mais pobres do planeta paguem por isso.

Os moradores da vila ofereceram maços de cigarro, sacos de farinha, cabras, amendoins e notas de US$ 2 amassadas – nenhuma novidade para a região. Além disso, dezenas de jovens locais se alistavam para serem soldados de infantaria, ansiosos para lutar na linha de frente.

Questões

O Sudão e o Sudão do Sul ainda precisam resolver uma série de questões controversas e essenciais que incluem a melhor maneira de se demarcar uma fronteira de mais de 1,6 mil quilômetros e como dividir bilhões de dólares de renda de petróleo. Os conflitos nas fronteiras se intensificaram no fim de março, matando centenas de pessoas, e os estratégicos campos de petróleo mudaram de lado.

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Estados Unidos, União Africana e Nações Unidas têm pressionado ambos os lados para parar de lutar, dizendo que a última coisa que a região precisa é de outro grande conflito.

O Sudão e o Sudão do Sul concordaram nos últimos dias em retornar à mesa de negociações, embora as autoridadeslocais tenham dito que o norte continuava bombardeando áreas ao longo da fronteira. No Sudão do Sul, a população, inclusive oficiais de alto escalão, sabe que não se trata de saber se novos confrontos irão ocorrer, mas sim quando acontecerão.

Em Juba, a capital do Sudão do Sul, representantes do governo vão de hotel em hotel, tentando convencer os gerentes a doar 1 mil libras (cerca de US$ 370) cada ou itens não perecíveis, como carvão e grãos. Em Warrap, um Estado de fronteira vizinho à região contestada de Abyei, mais de 3 mil jovens já se alistaram.

*Por Josh Kron

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