Prisioneiro de guerra é foco de negociações entre EUA e Taleban

Pelo acordo, cinco prisioneiros talebans detidos em Guantánamo seriam trocados por Bowe Bergdahl, sargento do Exército americano

The New York Times |

Os pais do único soldado americano mantido como prisioneiro de guerra no Afeganistão romperam um silêncio de um ano sobre a situação de seu filho, abruptamente tornando público que ele é o foco de negociações secretas entre o governo Obama e os talebans sobre uma possível troca de prisioneiros.

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Imagem de video mostra Bowe Bergdahl prisioneiro em julho de 2009
Nas negociações, atualmente em impasse, cinco prisioneiros talebans detidos na prisão militar americana localizada na Baía de Guantánamo, em Cuba, seriam trocados pelo sargento do Exército. Bowe Bergdahl, supostamente mantido pela rede militante Haqqani na área tribal no noroeste do Paquistão, na fronteira com o Afeganistão. Bergdahl foi capturado na província de Paktika, no Afeganistão, em 30 de junho de 2009. Sua família não recebe notícias dele há um ano, embora o Pentágono acredite que ele esteja vivo e bem.

O pai Bergdahl, Robert Bergdahl, afirmou em entrevistas concedidas perto da casa da família que decidiu se pronunciar por sentir uma imensa frustração com a falta de progresso das negociações, que ele acredita estarem paradas porque o governo Obama está sob pressão dos republicanos no Congresso para não negociar com terroristas.

"Nós não acreditamos que o governo dos Estados Unidos seja capaz de conciliar o ano eleitoral e essa situação", disse Robert Bergdahl.

Embora a captura e o cativeiro de Bowe Bergdahl sejam conhecidos publicamente há muito tempo, a família manteve as negociações para a troca de prisioneiros em sigilo, a pedido do governo e com medo de que isso poderia prejudicar a situação do refém.

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Mas as negociações estagnaram em janeiro, segundo as autoridades americanas, em grande parte por causa da frustração do Taleban com que os insurgentes disseram ser uma postura lenta de Washington sobre a troca de prisioneiros.

Robert Bergdahl, que se tornou cada vez mais impaciente, disse que decidiu ir a público depois que um grupo de prisioneiros de guerra pediu que ele fizesse um discurso em Washington no próximo Memorial Day, que lembra os militares mortos em combate. "A retórica adotada aqui é a de que 'Nós não negociamos com terroristas'", disse Bergdahl nas entrevistas, descrevendo a política oficial do governo. "Mas então o que fazemos? Pressionamos com tudo o que temos".

Estratégia

As negociações compõem o centro da estratégia americana para o Afeganistão, que imaginava que o aumento de tropas nos dois últimos anos - juntamente com um ataque mais agressivo contra os comandantes da insurgência por parte das forças de Operações Especiais - forçaria o Taleban se render à mesa de negociações.

A Casa Branca, o Departamento de Estado e o Pentágono não quiseram comentar as afirmações de Robert Bergdahl, embora oficiais do governo tenham afirmado entender sua angústia como um pai.

Publicamente, o governo disse apenas que as negociações incluem a libertação dos cinco prisioneiros de Guantánamo. No entanto, não foi confirmado que se trata de uma troca.

De qualquer modo, isso poderia revigorar um processo de paz descrito como “moribundo” por um oficial ocidental.

A troca de prisioneiros parece ser de extrema importância para o Taleban. Na proposta, que está na mesa desde o ano passado, os americanos transfeririam cinco dirigentes de alto escalão do Taleban de Guantánamo para prisão domiciliar, no Qatar. Depois disso, o Taleban libertaria Bowe Bergdahl.

Bowe Bergdahl, 26 anos, que cresceu em Hailey, no Estado de Idaho, foi capturado em uma área montanhosa da fronteira paquistanesa onde o Taleban tem uma ampla presença. As circunstâncias de sua captura permanecem obscuras.

Inicialmente, oficiais militares americanos disseram que ele deixou seu posto, mas em um vídeo divulgado pelo Taleban ele afirmou ter sido capturado ao ficar para trás durante uma patrulha.

*Por Elisabeth Bumiller e Matthew Rosenberg

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