Nove Estados-chave podem definir eleição dos EUA

Republicanos ganham terreno em Estados marcados politicamente pela recessão econômica, como Colorado, Iowa, Ohio e Nevada

The New York Times |

Desde o estouro da bolha imobiliária, o Estado de Nevada foi atormentado por um número recorde de desapropriações, a maior queda no valor dos imóveis do país e sua maior taxa de desemprego.

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O Estado de Iowa, por outro lado, pode não ter crescido tanto na época de fartura, mas também foi poupado do pior da recessão: os preços de seus imóveis se mantiveram relativamente estáveis e a sua taxa de desemprego é a quinta menor do país.

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Mike Schrader empilha madeira cortada em Pella, no Estado de Iowa, que tem a quinta pior taxa de desemprego nos EUA
Ohio sofreu uma perda média de vagas de empregos mais íngreme durante a recessão, mas desde então registrou um índice de desemprego abaixo da média nacional.

Republicanos ganham espaço em Estados-chave que podem definir eleição nos EUA se mostram indecisos

Esses são apenas alguns dos Estados-chave que devem decidir quem ganhará a eleição presidencial de 2012 - Estados em estágios muito diferentes de uma lenta recuperação econômica.

Com pouco mais de seis meses até o dia da eleição, uma análise do mapa eleitoral feita pelo New York Times revelou que o resultado da atual disputa eleitoral será provavelmente determinado pela maneira como o presidente americano, Barack Obama, e Mitt Romney se sairão em nove Estados. Todos os nove votaram em Obama em 2008, mas desde então os republicanos ganharam muito espaço em cada um deles.

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Hoje, com muitos desses Estados transformados economicamente e politicamente pela recessão e suas consequências, talvez eles sejam ainda menos previsíveis do que em eleições passadas. A disparidade da situação de cada um desses Estados ressalta os desafios que serão enfrentados por Obama e Romney na elaboração de argumentos que repercutirão em todo o país.

Os nove - Colorado, Flórida, Iowa, Nevada, Nova Hampshire, Ohio, Pensilvânia, Virgínia e Wisconsin - oferecem razões para preocupação e esperança para ambos os partidos. Não é por acaso que Obama escolheu dois desses Estados para dar início à sua campanha de reeleição .

"Esse é um momento crucial para a classe média", disse Obama na Universidade Estadual de Ohio, em Columbus.

Desempenho

Embora o desempenho da economia nacional ajudará a moldar o clima do país e definir o tom de cada campanha, as condições encontradas em cada um dos nove Estados também pode ser essencial. Seria difícil argumentar que esses Estados estão melhores agora do que há quatro anos, uma vez que eles ainda têm de recuperar os empregos que perderam.

A duração e a profundidade da recessão dificultam a análise do comportamento dos eleitores, e a lenta recuperação poderia complicar as coisas. Xu Cheng, economista sênior da Moody Analytics, que utiliza dados do estado econômico e político para prever resultados eleitorais, disse que sua equipe passou a considerar o "efeito do eleitor mal humorado."

"O chamado ‘efeito eleitor mal-humorado’ determina que apesar da melhora em um Estado, se a situação econômica ali for realmente muito ruim, os eleitores descontarão qualquer melhoria", disse Cheng. O efeito poderia ajudar a levar a Flórida, um Estado extremamente prejudicado pelas desapropriações imobiliárias, para os republicanos em novembro, ele acrescentou.

O panorama político nesses Estados, no entanto, está longe de ser claro. Embora todos eles tenham votado em Obama em 2008, sete governadores republicanos foram eleitos posteriormente. Pesquisas realizadas nos últimos dois meses mostraram o presidente americano com pequena vantagem ou empatado com Romney.

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Christopher H. Achen, professor de política na Universidade de Princeton que pesquisou o impacto da economia no voto, afirmou que se a economia americana continuar a crescer no ritmo atual, Obama deverá se beneficiar. Uma mudança nesse crescimento - causada, digamos, pela recessão na Europa - provavelmente ajudaria Romney. A questão, segundo ele, é qual será o cenário. "Parece-me que estamos no limite agora", ele disse.

*Por Michael Cooper

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