Em mudança estratégica, Obama passa a cortejar Hollywood por fundos

Jantar com George Clooney e lobby com nomes influentes do meio refletem nova importância do setor para campanha de reeleição

The New York Times |

Durante anos, o presidente americano, Barack Obama, não demonstrou muito interesse em Hollywood, algo que causava certo descontentamento em uma comunidade acostumada com a presença constante de Bill Clinton.

Campanha: Obama arrecada US$ 15 milhões em jantar com George Clooney

Mas, ao longo dos últimos meses, Obama e seus representantes realizaram uma série de reuniões e fizeram vários telefonemas com alguns dos doadores e arrecadadores de fundos mais influentes da região, o que reflete uma nova importância de Hollywood para a campanha do presidente à reeleição. 

Reuters
Partidários de Obama esperam por comitiva presidencial a caminho da casa de George Clooney, em Los Angeles
O fruto desse esforço ficou claro nesta semana, quando Obama participou de um evento de arrecadação de verba na casa do ator George Clooney. Na última contagem, os organizadores disseram que o evento arrecadou mais de US$ 15 milhões através de um sorteio online. Eles disseram que pararam de vender os ingressos que custavam US$ 40 mil na semana passada, pois não havia mais espaço para acomodar mais mesas para novos participantes.

O apoio de Obama ao casamento de pessoas do mesmo sexo garantiu uma recepção calorosa não apenas na residência de Clooney, mas em toda Hollywood. Antes disso, os organizadores esperavam que o presidente fosse enfrentar perguntas difíceis de um público que estava ficando cada vez mais descontente com a sua hesitação sobre um assunto de grande importância para eles.

Tema eleitoral: Obama declara apoio ao casamento gay

Análise: Ao apoiar casamento gay, Obama assume risco calculado

O produtor de televisão Norman Lear disse que ele e sua esposa Lyn, que não pretendiam doar dinheiro para Obama, depois da declaração de apoio ao casamento gay resolveram contribuir com o máximo permitido: US$ 80 mil. "Esse é o tipo de liderança que nós apoiamos e estamos felizes em contribuir para sua campanha a reeleição", disse.

Para o presidente, esses esforços significam que para atrair grandes doadores é necessário fala com eles. Este foi o caso de Haim Saban, o bilionário da indústria da televisão e um dos maiores financiadores da campanha presidencial de Hillary Clinton, em 2008. Ele disse ao The Hollywood Reporter recentemente que Obama o havia recebido no Salão Oval.

Obama também achou necessário chamar figuras-chave da indústria para medir sua popularidade. Entre eles estava Ari Emanuel, o influente agente de Hollywood e irmão de seu ex-chefe de gabinete, Rahm Emanuel.

Arrecadação: Após apoiar casamento gay, Obama recebe US$ 1 milhão em 90 minutos

Polêmica: Romney nega que praticou bullying contra  gays na adolescência

Rob Reiner, o diretor que criticou Obama há apenas dois anos, disse que mudou de opinião sobre o presidente quando reconheceu os obstáculos que Obama teve de enfrentar durante seu governo.

"Eu achava que ele estava tentando agradar demais o outro lado", disse Reiner. "Eu percebo agora que era apenas uma tentativa de tentar mediar algum tipo de compromisso. Eu acho que ele percebeu, assim como todo mundo, que isso é virtualmente impossível." 

E acrescentou: "Apesar de tudo, acredito que ele tem feito um trabalho incrível. Eu nunca fui 100% contra ele, mas devo admitir que mudei bastante a minha postura".

O esforço foi além da indústria do entretenimento e chegou a incluir até mesmo o decorador Michael Smith. De acordo com um membro da equipe da campanha, ganhar o apoio público de Saban, conhecido por seu comprometimento rigoroso com Israel, também foi fundamental para convencer os doadores judeus a participar. Ao mesmo tempo, recrutar uma estrela tão popular como George Clooney ajudou a campanha a aumentar drasticamente sua relevância, atraindo dezenas de milhares de pequenos doadores, determinados a conseguir uma vaga no jantar repleto de celebridades.

"Inicialmente, falava-se muito a respeito de todas as possibilidades de votos e dos candidatos", disse Katzenberg. "Agora, ele é o candidato e está enfrentando um outro candidato, existe uma escolha a ser feita."

*Por Adam Nagourney e Jim Rutenberg

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG