Na Rússia, ativistas mudam abordagem para evitar prisões em protestos

Táticas de protestos pacíficos ganham adeptos e obrigam policiais a permitir manifestações contrárias ao governo

The New York Times |

Em uma praça vazia em um parque de Moscou, um homem desenrolou um tapete de ioga e se sentou sobre ele. Logo, dois policiais uniformizados chegaram ao local para confrontá-lo.

Kseniya Sobchak: Jovem passa de celebridade a manifestante antigoverno na Rússia

NYT
Ativistas passam a noite em praça vazia de Moscou em protesto pacífico contra o governo (8/5)

Rodeado por um pequeno grupo de adeptos, Dergachyov Vadim, 29 anos, argumentou que não é ilegal se sentar em Moscou. Mas os policiais, suspeitando que ele estava protestando contra a posse de Vladimir Putin como presidente, ordenaram que se levantasse. Ele recusou e os oficiais simplesmente se afastaram.

Desde segunda-feira, a polícia tem detido qualquer pessoa suspeita de realizar algum tipo de manifestação contrária ao governo, às vezes simplesmente porque estão usando fitas brancas na lapela de seus casacos.

Em resposta, os manifestantes de Moscou têm adotado novas táticas, "protestos sigilosos" e flash mobs, para evitar prisões em massa.

Velhas táticas

As táticas que tomaram as ruas de Moscou não são novas. Em uma cartilha sobre protesto não violento, Gene Sharp, um intelectual americano, descreveu esse tipo de protesto como a performance de uma ação tão incomum e pouco ortodoxa que a polícia não tem como agir. Se deixarem acontecer, estão incentivando o protesto, se prenderem os cidadãos podem parecer bobos ou injustos, e é exatamente isso que os manifestantes usam a seu favor.

Em Moscou, os manifestantes que seguiam o ativista anticorrupção Aleksei Navalny, sentaram em parques, cantaram em público ou simplesmente andaram em grupos. Normalmente, Navalny publica sua localização com a ajuda de um iPhone e, invariavelmente, centenas de moscovitas aparecem para se juntar a ele.

Desde domingo, dia anteriori à posse de Putin, quando as autoridades interromperam um protesto autorizado por razões ainda não esclarecidas, a polícia prendeu pelo menos 600 ativistas em Moscou, incluindo líderes de protestos em diferentes ocasiões. Na quarta-feira, Navalny e Sergei Udaltsov, outro líder dos protestos, foram condenados a 15 dias de prisão por desobedecer a uma ordem policial.

Tensão: Em meio a protestos, Putin toma posse como presidente

De sua parte, Navalny pediu simplesmente que os moscovitas caminhem pelo centro histórico da capital. Ele batizou a ação de: "A caminhada de protesto".

Durante dois dias, os adeptos caminharam sem rumo pelas ruas arborizadas do centro de Moscou. A certa altura, em um sinal do amplo apoio da classe alta a Navalny, um Lexus vermelho conversível diminuiu sua velocidade e acompanhou a marcha. O motorista estendeu a mão em nítida saudação ao chefe desse novo movimento.

*Por Andrew E. Kramer e Michael Schwirtz

    Leia tudo sobre: rússiaprotestosputinmedvedevmanifestaçõesmoscou

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG