Para vice de Obama, papel coadjuvante traz dificuldades

Ousado e direto, Joe Biden têm de se esforçar para subordinar suas opiniões às da campanha de reeleição do presidente

The New York Times |

Ao analisar as piadas que faria em seu discurso em um recente jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, achou uma das piadas um pouco exagerada. Ela sugeria que ele talvez dispensasse os serviços de seu vice-presidente, Joe Biden.

“Há quatro anos escolhi Joe Biden para a minha chapa”, diria Obama, segundo pessoas que leram o rascunho do discurso. “Quatro anos depois, estou quase certo de que vou querê-lo de novo.” Depois, ele piscaria exageradamente para o público. Obama, porém, pediu que os responsáveis pelo discurso tirassem esse trecho, por acreditar que ele inflamaria as especulações sobre o seu vice-presidente.

Biden também parece não gostar do assunto. Essa insegurança assombra quase todos os vice-presidentes – e ele estava ciente disso antes de aceitar o cargo.

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (dir), abraça seu vice, Joe Biden, durante evento em Cleveland (31/10/2010)

Biden, 69, tem orgulho de falar sem rodeios - mesmo que às vezes isso possa complicar as coisas para a Casa Branca, como aconteceu no domingo (6), quando disse estar "absolutamente confortável" com o casamento homossexual, indo além das declarações feitas por Obama sobre o assunto.

À medida que ele embarca no que poderia ser sua última campanha, Biden também está finalizando um mandato que foi muitas vezes perturbado, marcado por triunfos e tensões ocasionais com um chefe notavelmente diferente em estilo e temperamento.

"Ser um vice-presidente é quase igual a ser uma primeira-dama", disse a secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, a respeito de Biden."Você está lá para apoiar e servir o presidente. Não existe uma descrição premeditada do que você terá que fazer."

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O presidente reconheceu a lealdade de Biden, que foi testada ao longo de um mandato difícil e até mesmo o enviou como porta-voz em alguns de seus debates.

"Acredito que, às vezes, existe uma barreira institucional na hora de dizer a verdade na frente do presidente", disse Obama em uma entrevista concedida a 2009 ao The New York Times. "Nesse aspecto, Joe me ajuda muito."

Obama e Biden chegaram ao que pessoas próximas a ambos descreveram como uma amizade, uma das poucas que o presidente fez ao longo de seu mandato. Eles vão aos eventos esportivos da filha de Obama e da neta de Biden, que frequentam a escola Sidwell Friends juntas. Mas pessoas próximas a eles também disseram que é impossível saber o que acontece privadamente.

"Acho que ao longo dos três últimos anos o presidente chegou a apreciar a lealdade do vice e suas idiossincrasias", disse Ronald A. Klain, ex-chefe de gabinete de Biden. “Ambos tornaram-se mais conscientes de sua relação e tentaram melhorá-la.”

Klain disse que o fato de cada um ter seus próprios amigos e interesses também ajuda. "Eles não tentaram transformar essa amizade no foco principal de suas vidas políticas", disse ele.

Por Mark Leibovich

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