Quatro anos após eleição de Obama, raça ainda é questão para eleitores

Pesquisas sugerem que ascendência do primeiro presidente negro dos EUA pode influenciar voto dos americanos em novembro

The New York Times |

Steubenville, Ohio, é uma cidade de democratas - trabalhadores de moinho, mineiros e sindicalistas. Eles votaram no partido ao longo das últimas gerações, formando um eleitorado praticamente certo para qualquer político democrata. Mas quando se trata do presidente Barack Obama, uma pequena porção deste grupo parece incerta.

"Algumas regiões deste conselho não vão votar em Obama", disse John Corrigan, funcionário do tribunal do Condado de Jefferson, que estava bebendo café em uma loja de móveis em uma manhã da semana passada com um pequeno grupo de amigos, juízes aposentados e funcionários públicos. "Não gosto de dizer isso, mas é verdade."

Jason Foreman, um funcionário público aposentado, explicou: "Consigo dizer: é porque ele é negro."

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NYT
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, faz comício em Columbus, Ohio (05/04)

Uma família negra vive na Casa Branca há três anos e meio, e nesse período o fato mais notável sobre isso tem sido o quão banal essa mudança foi para o país. Obama será sempre conhecido nos livros de história como o primeiro presidente negro do país, mas sua ascendência raramente foi relevante em meio ao tumulto de uma profunda recessão, duas guerras e disputas políticas internas.

À medida que Obama se prepara para aquela que poderá ser uma batalha de reeleição, sua raça permanece um poderoso fator entre uma pequena minoria de eleitores - especialmente em áreas economicamente afligidas com altas proporções de brancos da classe trabalhadora, como esta.

Obama venceu neste condado por pouco em 2008 - 48,9% contra 48,7% de John McCain. Os assessores de Obama reconhecem que algumas áreas do Estado apresentam mais desafios políticos do que outras, mas que problemas raciais não se destacam como uma grande fonte de preocupação.

A estratégia da campanha depende em grande parte de um forte desempenho em cidades e áreas suburbanas para compensar qualquer declínio em outras regiões.

A campanha de Obama monitora agressivamente quaisquer comentários racistas feitos contra o presidente, mas autoridades raramente discutem abertamente a raça de Obama.

O presidente divulgou sua certidão de nascimento no ano passado para acabar com uma controvérsia crescente sobre ele ser ou não cidadão dos Estados Unidos. No mês passado, ele disse que a questão da raça nos Estados Unidos ainda era "complicada". "Nunca aceitei a ideia de que, ao me eleger, os Estados Unidos entrariam em um período pós-racial", disse Obama em entrevista à revista Rolling Stone.

"Ao longo de minha vida vi como as atitudes raciais têm mudado e melhorado, e qualquer um que sugira que isso não está acontecendo precisa prestar mais atenção", disse. "Todos vemos isso todos os dias, e eu estar neste Salão Oval é um testemunho da mudança que vêm ocorrendo."

Os pesquisadores têm tentado quantificar o preconceito racial na política eleitoral há muito tempo, mas dependem de pesquisas em que raramente as pessoas admitem preconceito.

"Acho que ele foi eleito por causa de sua raça", disse Sarah Reese, uma bancária que votou para Ralph Nader em 2008, embora normalmente vote nos democratas.

Por Sabrina Tavernise

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