Candidatos à presidência do Egito prometem proteger militares

Enquanto eleição se aproxima, crescem os sinais de que generais manterão autonomia e influência política

The New York Times |

Duas semanas antes de a eleição presidencial do Egito começar, os principais candidatos estão adotando um tom de respeito em relação aos atuais governantes militares, mesmo enquanto os generais deixam claro que esperam manter boa parte de sua autonomia e influência após a prometida transferência de poder.

Quinze meses após a queda de Hosni Mubarak e a ascensão dos militares ao poder, o quanto de poder eles irão transferir para a autoridade civil irá determinar se o levante do ano passado poderá realmente ser tratado como uma revolução democrática ou não terá passado de um golpe.

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AP
Pôsters dos candidatos Mohammed Morsi (esq) e Abdel-Moneim Abolfotoh são vandalizados no Cairo (07/05)

Esta também é uma das questões mais pertinentes para os aliados do Egito, como os Estados Unidos e Israel, assim como para o próximo presidente do país. Mas um dos três principais candidatos, Amr Moussa, um ex-diplomata, disse que o assunto é demasiado sensível para ser abordado publicamente.

Outro candidato, Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana, disse que pretende consultar os generais sobre tais questões ao invés de impor sua vontade, inclusive na hora de escolher um ministro da Defesa.

O terceiro e principal candidato, Abdel Moneim Aboul Fotouh, um ex-líder mais liberal da Irmandade Muçulmana que tem sido mais assertivo com os militares, disse que também pretende consultar os generais e inicialmente designar um deles como ministro da Defesa.

Os conselheiros dos três candidatos disseram esperar apenas certo controle em relação ao orçamento do Departamento de Defesa, que será no máximo administrado por parte de uma Comissão Especial do Parlamento.

Os generais, por sua vez, parecem confiantes de que irão manter a sua influência, sua imunidade e seu império comercial, que inclui operações que vão desde seu envolvimento no mercado imobiliário até o de eletrônicos de consumo e água engarrafada.

"A relação entre o povo e os militares é histórica, eterna, e não começou com o atual Conselho Supremo das Forças Armadas", disse o general Mamdouh Shaheen em uma entrevista na semana passada.

Desde a monarquia apoiada pelos britânicos, disse, a Constituição egípcia sempre atribui um papel aos militares que vai além de apenas proteger as fronteiras do país.

Os formuladores de políticas dos EUA criaram laços com os militares do Egito, reconhecendo os generais como uma força necessária para a estabilidade nas relações com Israel. Mas a insistência dos generais em preservar sua influência também motivou apelos de Washington para que cedessem seu poder de uma vez por todas.

Por David D. Kirkpatrick

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