Obama busca delicado equilíbrio na segurança nacional

Em campanha por reeleição, presidente dos EUA tenta combinar elementos republicanos e democratas na política externa

The New York Times |

Em um momento ele se vangloria de ter executado o inimigo número um da América. No outro, promete trazer as tropas americanas para casa e acabar com uma guerra impopular .

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, passou os dias que antecederam o pontapé inicial de sua reeleição tentando alcançar um equilíbrio entre ousadia e cuidado, possivelmente redefinindo os próximos anos de seu partido.

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chega à Casa Branca após visita ao Afeganistão (02/05)

Durante décadas os democratas foram prejudicados nas urnas por sua imagem de “mão leve” quando o assunto é a segurança nacional. Mas em um país agora cansado de guerras, mas que ainda busca projetar força, Obama está tentando reposicionar seu partido neste quesito, como Bill Clinton fez na política econômica e interna na década de 1990, buscando equilíbrio entre dois polos opostos.

A mistura, simbolizada por uma viagem surpresa para o Afeganistão , que terminou em um discurso na televisão nacional, tem irritado críticos à esquerda e à direita.

Muitos na base liberal do partido ficaram decepcionados com a decisão de Obama de triplicar o número de soldados no Afeganistão, algo que viram como continuidade das políticas contraterrorismo do presidente George W. Bush.

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Muitos conservadores, por outro lado, argumentam que por trás do ataque que matou Osama bin Laden está uma abordagem fundamentalmente fraca para Irã, Coreia do Norte e Rússia.

Embora pareça ambígua, esta doutrina teve grande aceitação em todo o país, de acordo compor pesquisas de opinião e grupos focais.

Além disso, os conselheiros de Obama deixaram claro recentemente que acreditam que ele possa ser mais ofensivo sobre segurança nacional, como muitos candidatos presidenciais democratas têm feito desde a Guerra do Vietnã.

"O paradigma pós- 11 de Setembro que existiu por muitos anos e determinava ser necessário um posicionamento em um dos dois polos já não existe", disse Benjamin Rhodes, vice-conselheiro de segurança nacional do presidente. "Ele demonstrou que você pode realmente acabar com as guerras ao mesmo tempo que enfrenta seu inimigo de forma mais eficiente."

Os republicanos veem a posição do presidente como uma tática para ganhar a eleição e não como uma convicção política.

"Ele está em uma posição estranha, em cima do muro, e não sabe qual caminho quer percorrer", disse o senador John Cornyn, do Texas, um membro republicano do Comitê de Serviços Armados do Senado.

Claro, inovações de guerra como o avião não tripulado facilitam que o presidente enfrente seus inimigos sem custo para os americanos. Cornyn disse que Obama denunciou técnica duras de interrogatório, mas não hesitou em autorizar a execução de suspeitos de terrorismo de dentro de um avião sobre um campo de batalha - mesmo que seja um cidadão americano . "Isso me parece superficial e conveniente", disse.

Obama tem expressado uma complexa visão da segurança nacional há muito tempo, mas ela foi inicialmente ofuscada por sua forte oposição à Guerra no Iraque. Quando candidato, em 2007 e 2008, ele usou esta postura como argumento central contra sua então rival pela indicação democrata, Hillary Rodham Clinton.

Menos amplamente percebida foi sua tentativa de equilibrar isso com o envio de mais tropas ao Afeganistão e o ataque unilateral ao interior do Paquistão, necessário para capturar ou matar Bin Laden. Naqueles momentos, muitos analistas acreditavam que sua posição não passava de uma tentativa de evitar a armadilha antiguerra em que os democratas haviam caído. Mas quatro anos depois, Obama continua a atuar com uma política de segurança nacional que entrelaça elementos de ambos os partidos.

"O que estamos vendo é a concretização de uma política externa muito bem pensada e muito eficaz - ela é pragmática e prática", disse o deputado Adam Smith, de Washington, um democrata do Comitê de Serviços Armados da Câmara. "Ele fez exatamente o que disse que ia fazer."

Uma pesquisa The New York Times/CBS News conduzida no mês passado mostrou que Obama neutralizou a vantagem tradicional dos republicanos no quesito de segurança nacional. Cerca de 59% dos eleitores demonstraram confiança na capacidade de Obama de ser o comandante das forças armadas do país.

"Acho que tem funcionado politicamente, mas é o tipo de coisa que para de funcionar um dia depois da eleição", disse Peter D. Feaver, um professor da Universidade Duke que trabalhou na equipe de segurança nacional de Bush. "Se as políticas são imprudentes, e acho que pelo menos algumas delas são, então ele enfrentará problemas eventualmente".

Por Peter Baker

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