Metrô do Cairo é 'milagre' em meio ao caos político

Enquanto confrontos tomam as ruas, transporte subterrâneo se mantém eficiente e fundamental para 3 milhões de usuários diários

The New York Times |

No Cairo, trabalhadores deixam os vagões do metrô temendo o retorno à vida que acontece logo acima.

O metrô os leva rapidamente de um lado para outro da cidade, por túneis subterrâneos que escapam de seus obstáculos enlouquecedores, passando por uma estação mais elegante que a outra. O resto da jornada para casa, em um micro-ônibus ou carro, não é tão agradável. "O transporte", disse um morador,"se tornou mais exaustivo do que qualquer trabalho."

Leia também: No Egito, turismo sofre impacto de revolução estagnada

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Passageiras são vistas em plataforma de metrô só para mulheres no Cairo (22/03)

O metrô do Cairo é uma espécie de milagre. Eficiente e ordenado, o sistema subterrâneo é muitas vezes classificado como a única coisa que sempre funciona. Isso não é novidade, mas se tornou ainda mais significativo depois da queda do presidente Hosni Mubarak , um período marcado por confusão, com o desaparecimento da polícia e a tomada das ruas pela população.

Nascia assim um novo provérbio, refletindo a impaciência pública com os transtornos locais e sua revolta com duas mudanças irritantes: a adição repentina de um dígito nos números de celulares e a troca das frequências dos canais da televisão por satélite.

Mas o metrô continuou confiável. Ali, pouco mudou, exceto o nome de uma estação no centro da capital, que foi mudou de "Mubarak" para "Mártires".

"Se houvesse uma crise no metrô as pessoas fariam outra revolução", explicou Mohammed Said Ahmed, 20 anos.

Acima do solo, as crises se multiplicam.

Nas semana passada, pelo menos 11 pessoas foram mortas durante confrontos e os candidatos presidenciais pararam suas campanhas em solidariedade às famílias em luto.

Nas últimas semanas, houveram greves de ônibus e escassez de gás. Todos os dias, sem falta, um velho Fiat quebra, parando o tráfego do Cairo. Durante uma recente greve de ônibus, o metrô ficou lotado de pessoas tentando escapar do caos acima, entrando em mundo paralelo que custa apenas uma libra egípcia (cerca de US$ 0,16).

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Trem chega à estação Sadat, no Cairo (24/03)

Três milhões de pessoas usam o metrô diariamente, segundo Ahmed Abdel Hady, da comunicação do órgão de transporte do Cairo. A construção da terceira linha do Cairo, já em andamento, levará o transporte para uma região operária e até o aeroporto, fornecendo alternativa para estradas lotadas.

"Se o metrô parasse, todo o Egito iria parar", disse Hady, gabando-se de um serviço que na verdade abrange apenas um pequeno pedaço do país. "É o transporte mais rápido, barato e seguro do país."

Por Kareem Fahim

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