Resistência palestina busca mudança com greve de fome

Cerca de 1,5 mil prisioneiros pressionam por melhores condições carcerárias, como fim da solitária e acesso a aulas na universidade

The New York Times |

Os novos heróis da causa da Palestina não são jovens musculosos atirando pedras ou carregando armas automáticas. Eles são adultos, magros e acorrentados que estão morrendo de fome nas prisões israelenses.

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Desde o dia 17 de abril, dezenas de prisioneiros palestinos estão unindos e fazendo uma greve de fome que os oficiais dizem que hoje contar com mais de 1,5 mil participantes.

NYT
Palestinos e israelenses protestam em apoio a prisioneiros em greve de fome do lado de fora da prisão Ramle, em Israel
O ministro da Autoridade Nacional Palestina que é responsável pelos prisioneiros disse que caso Israel não atenda a suas demandas por melhores condições carcerárias, outros 3,2 mil detentos também irão se juntar à causa.

Os dois prisioneiros que estão em greve há mais tempo já passaram 66 dias sem comida. Eles foram levados em cadeiras de rodas para a Suprema Corte de Israel na manhã do dia 26 de abril, onde solicitaram a sua libertação de uma detenção administrativa, como é conhecida uma prisão sem acusações formais.

Um deles, Bilal Diab, 27 anos, desmaiou durante a audiência. "Eu sou um homem que ama a vida e quero viver com dignidade", disse Thaer Halahleh, 33 anos, de acordo com um membro de um grupo de defesa que estava presente no tribunal. "Nenhum ser humano deve aceitar ser preso sem qualquer razão ou acusação."

Protesto

À medida que a greve se disseminava, os nomes dos prisioneiros e seus rostos foram colocados em destaque em barracas de protesto armadas em aldeias de toda a Cisjordânia.

Com o processo de paz estagnado e a política interna da Palestina à deriva, muitos analistas do país enxergam a resistência não violenta como uma tática fundamental para o movimento nacional e a greve de fome como um potencial catalisador para trazer um levante no estilo da Primavera Árabe para a Cisjordânia.

Na semana passada, 300 mulheres marcharam na praça Al Manara, em Ramallah, cantando: "Sim para a greve de fome, não para a submissão."

Ao fim da tarde, centenas de manifestantes que portavam bandeiras da Palestina se reuniram diante da prisão Ramle, perto do Aeroporto Internacional Bem Gurion, em Israel, onde se encontram muitos dos grevistas e houve confrontos entre a polícia e os manifestantes.

No tribunal, após o desmaio de Diab e o testemunho de Halahleh, o juiz fez uma pausa para rever os seus arquivos secretos, depois voltou sem uma decisão, prometendo apresentar uma em breve, de acordo com pessoas que estavam presentes no tribunal.

Qadura Fares, líder do Clube dos Prisioneiros Palestinos, disse que a greve visa acabar com algumas das restrições impostas aos prisioneiros antes da libertação do soldado israelense Gilad Shalit , que havia sido capturado pelos palestinos, que incluem a prisão solitária, os limites sobre as visitas de familiares e a negação de acesso a aulas na universidade.

Sivan Weizman, uma porta-voz do Serviço Carcerário de Israel, disse que uma equipe local está trabalhando para atender às solicitações e voltaria a se reunir com os líderes dos presos dentro de poucos dias

*Por Jodi Rudoren

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