Cachorro ajuda veterana de guerra a voltar à vida normal nos EUA

Como outros militares, Tori Stitt encontrou em companhia de animal um alívio para sintomas de estresse pós-traumático

The New York Times |

Tori Stitt está entre os muitos milhares de veteranos das guerras do Iraque e do Afeganistão cujo estresse pós-traumático é considerada crônico: tão grave que o tratamento tradicional da doença pode levar muitos anos.

Não é de se estranhar, então, que muitos desses veteranos estejam optando por adotar tratamentos alternativos, como yoga, acupuntura, remédios herbais e massagem terapêutica.

Mas nada se mostrou mais popular do que cães treinados.

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Tori Stitt, veterana da guerra do Iraque, beija seu 'cachorro de serviço', Devon (30/09/2011)

Medicamentos e terapia ajudaram Stitt a enfrentar a depressão, insônia e ansiedade causadas pela desordem, mas não a superar nenhum dos sintomas da doença. Nada tem sido mais significativo para a sua recuperação, ela explica, do que Devon, o cachorro da raça Golden Retriever que se tornou seu companheiro constante.

"As coisas ruins que estão acontecendo não importam, eu posso acariciar Devon, dar-lhe um abraço. Isso muda tudo", disse Stitt, oficial da Marinha que serviu no Iraque.

Existem poucos dados científicos que mostram que os 'cães de serviço' aliviam os sintomas de estresse pós-traumático, apesar de várias pesquisa sobre a questão estarem em andamento. Os céticos dizem que os cães não podem tratar o distúrbio, segundo o qual as memórias de acontecimentos traumáticos desencadeiam sintomas potencialmente debilitantes. Mas muitos especialistas dizem que há evidências de que os cães fazem os veteranos se sentirem melhor - e isso pode ser o suficiente.

"Se o objetivo é tratar uma pessoa para acabar com estes sintomas, não temos evidência de que os cães possam fazer isso", disse Alan L. Peterson, professor de psiquiatria do Centro de Ciência e Saúde da Universidade do Texas em San Antonio e diretor de Star Strong, um consórcio de pesquisa sobre estresse pós-traumático. "Mas em termos de lidar com a doença, eles podem ajudar."

Organizações surgiram em diversas cidades americanas para oferecer cães treinados a pouco ou nenhum custo para os veteranos com desordem de estresse pós-traumático ou lesão cerebral traumática. Empresas e grupos sem fins lucrativos criados para treinar cães para cegos e autistas passaram a prestar serviços para os veteranos.

O Congresso americano ordenou ao Departamento de Assuntos para Veteranos um estudo sobre a eficácia dos cães de serviço como terapia para a desordem de estresse pós-traumático, com alguns parlamentares pensando a exigir que o governo ajude a financiar o treinamento, que custa mais de US$ 15 mil por cão.

"A América quer cuidar de seus veteranos", disse Lu Picard, fundador da Cães de Assistência da Costa Leste, que treina cães de serviço. "Por isso, pode ser mais fácil arrecadar dinheiro para um veterano do que para um homem que tem uma lesão na coluna vertebral causada por um acidente de carro."

Por James Dao

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