Queda de Bo Xilai ajuda ascensão de vice-presidente chinês ao poder

Escândalo que acabou com a carreira de político proeminente favorece Xi Jinping em momento de transição da liderança comunista

The New York Times |

Quando Xi Jinping, vice-presidente da China e seu suposto futuro líder, regressou de uma viagem diplomática aos Estados Unidos em fevereiro, enfrentou uma questão ainda mais delicada em casa.

Um ex-chefe de polícia chinês havia comparecido a um consulado dos Estados Unidos oferecendo o que dizia ser evidências do assassinato de um empresário britânico pela esposa de outro político chinês, Bo Xilai.

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NYT
O vice-presidente da China, Xi Jinping, fala a estudantes em South Gate, na Califórnia (17/02)

Xi, 58, participou durante semanas de negociações secretas a respeito do destino de Bo, cujo pai, assim como o pai de Xi, tinha sido uma figura poderosa no Partido Comunista. Os dois são como "príncipes" da dinastia do partido governante.

Mas apesar de suas origens semelhantes, Xi ficou ao lado dos principais líderes comunistas na decisão de remover Bo de sua posição como chefe do partido na cidade de Chongqing, segundo autoridades e pessoas ligadas ao partido.

Xi não assumiu a liderança no processo que acabou com a carreira de Bo, segundo pessoas próximas à questão, mantendo o estilo político que adotou desde o começo de sua carreira. Ele astutamente ficou em segundo plano enquanto acompanhava o processo que derrubou o homem que ameaçava se tornar seu maior rival no próximo grupo de líderes chineses.

Bo, 62, foi um político carismático e expansivo que passava uma mensagem de nostalgia maoísta em uma tentativa desesperada de entrar no Comitê Politburo, formado por nove pessoas e que governa a China por consenso.

Em Pequim, as pessoas afirmam que ele poderia ter tentado se sobressair a Xi caso tivesse conseguido espaço no comitê. Assim sendo, Xi emerge do escândalo com ainda maior domínio sobre a China no momento em que o país passa por uma transição de liderança que acontece apenas uma vez por década.

"Xi se beneficia disso", disse um embaixador chinês que agora trabalha no Ministério das Relações Exteriores, que como muitas pessoas entrevistadas durante o escândalo falou apenas sobre condição de anonimato. "Isso vai tornar as circunstâncias muito mais fáceis".

O partido disse este mês que estava investigando Bo por "graves violações disciplinares" e sua esposa Gu Kailai pelo assassinato de Neil Heywood, empresário britânico que morreu em novembro passado em Chongqing. O escândalo representa o maior desafio para a elite do partido desde o massacre na Praça da Paz Celestial de 1989.

Mas conforme a investigação continua, o partido também está se movendo rapidamente para garantir que a transição de liderança mantenha seu curso.

Por Edward Wong

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