Candidatos à presidência do México travam batalha online

Internet desafia legislação aprovada em 2007 para manter 'ordem' nas campanhas eleitorais do país

The New York Times |

Parecia o tipo de disputa que abala as campanhas eleitorais de estilo americano. O candidato presidencial do partido governista chamou o favorito da oposição de "mentiroso" em comerciais veiculados na televisão e na internet. Os partidários do opositor retaliaram com posts no Twitter dizendo que o candidato do governo é quem "mente". E o que ocupa o terceiro lugar nas pesquisas revelou as gafes de ambos em um vídeo publicado no YouTube descaradamente intitulado "desculpas para não debater."

Política moderna, talvez. Mas depois que o presidente do México, Felipe Calderón, venceu por uma margem estreita uma eleição acirrada seis anos atrás, apostando em comerciais nos quais destacava seu adversário como um perigo para o país, o “establishment” político mexicano prometeu não tolerar essa postura.

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AP
Candidato à presidência do México Enrique Peña Nieto faz campanha em Nezahualcoyotl (28/04)

Em 2007 foi aprovada uma lei que pretendia manter qualquer campanha política organizada e limpa: proibindo o equivalente mexicano dos comitês de ação política, impondo limite de gastos, regulamentando a linguagem usada na propaganda política e restringindo o período de campanha para apenas 89 dias.

Mas esta lei menosprezou a imprevisível e incontrolável internet.

A internet em geral e as redes sociais em particular emergiram como um campo de batalha paralelo à medida que os candidatos disputam o apoio dos eleitores. Segundo pesquisa, mais de um quarto deles ainda não escolheram seu candidato para a eleição de julho.

Muitos dos indecisos fazem parte da jovem classe média mexicana que tende a ser mais politicamente independente e pode se revelar essencial para determinar o próximo presidente do país.

"Se você quer ganhar uma campanha, precisa vencer em todos os cantos", disse Agustin Torres Ibarrola, um legislador de 34 anos que coordena a estratégia digital para Josefina Vázquez Mota, a candidata do Partido de Ação Nacional, ou PAN.

Torres estava sentado ao lado de uma tela em que se via um grande painel do TweetDeck, que gerencia contas no Twitter e Facebook, enquanto diversos jovens trabalhadores da campanha, debruçados sobre laptops, monitoravam sites de mídia social e publicavam materiais relacionados a uma disputa com o comitê de campanha do favorito, Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional, ou PRI.

Aurelio Nuno Mayer, diretor de mídia de Peña Nieto, disse que sua operação conta com cerca de 20 mil voluntários para postar mensagens no Twitter e aumentar a popularidade de alguns tópicos. Embora os voluntários sejam instruídos a não minar a mensagem positiva de eficiência de Peña Nieto, Nuno Mayer admitiu que a campanha nem sempre consegue controlá-los.

"O Twitter é como uma selva", disse ele. "Com o anonimato, é como um lugar em que cada um pode fazer o que quiser".

Por Randal C. Archibold e Elisabeth Malkin

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