Ministro de Defesa mantém discurso dúbio de Israel sobre Irã

Barak duvida de poder dissuasório de sanções um dia após principal general afirmar que pressão internacional vem dando resultados

The New York Times |

Um dia depois de os jornais israelenses informarem que o principal general do país disse que pressões diplomáticas e econômicas contra o Irã começavam a ter êxito , seu superior, o ministro da Defesa Ehud Barak, disse na quinta-feira que "parecem baixas" as chances de que Teerã se curvará à pressão internacional e paralisará seu programa nuclear.

Moderação: Chefe militar de Israel não acredita que Irã fará bomba nuclear

As declarações das principais autoridades de Defesa de Israel aumentaram a incerteza sobre a união da liderança do país em sua abordagem em relação ao programa do Irã, que o Estado israelense teme ter o objetivo de produzir armas nucleares. Enquanto autoridades israelenses insistiram na quinta-feira que não há nenhuma discordância, os comentários do general Benny Gantz não pareceram completamente se alinhar com o tom do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu , ou com a de Barak.

“A verdade precisa ser dita: parece baixa a chance de que esse nível de pressão faça o Irã responder à demanda internacional para que o programa seja paralisado de uma forma irreversível”, disse Barak durante uma celebração do Dia da Independência em Herzliyaa. “Ficaria feliz de estar enganado. Mas essa é minha melhor análise, e tem como base anos de rastreamento das manobras do Irã e dos precedentes históricos da Coreia do Norte e do Paquistão."

As declarações de Barak foram feitas enquanto mesmo autoridades graduadas tentavam suprimir a percepção de desacordo sobre o Irã. O dia começou com Gantz dizendo as repórteres "não há nenhuma distância" entre minha opinião e a do premiê, de acordo com um assessor que estava com ele. Mas não ficou claro se o general era pressionado a mudar seu discurso, se sentiu que sua mensagem foi mal interpretada ou se era parte de uma estratégia mais ampla de tentar oferecer mensagens dúbias para diferentes audiências.

De qualquer foram, as discrepâncias, mesmo que sutis, ficaram evidentes por conta própria.

Em uma entrevista publicada na quarta feita pelo jornal de esquerda Haaretz, Gantz descreveu o governo iraniano como "muito racional", enquanto Netanyahu disse à CNN na terça-feira que não contaria como o "comportamento racional do Irã".

Gantz disse na quinta-feira pensar que, no final, o Irã decidiria por não construir uma bomba atômica por causa das sanções e da ameaça de ataque de várias nações; horas depois, Barak disse acreditar que era improvável que as sanções tivessem êxito e que não via a nação persa como "racional no sentido Ocidental da palavra, ou seja, com um país que busca de forma pacífica o status quo e a solução dos problemas".

Barak também alertou para uma "corrida armamentista nuclear" com a Arábia Saudita, a Turquia e "mesmo o novo Egito", classaficando o Irã de "um desafio para todo o mundo".

Por sua vez, Gantz indicou na quinta-feira que Israel tem o apoio internacional para um ataque contra as instalações nucleares do Irã, afirmando: "A força militar está pronta. Não apenas as nossas, mas as de outros também."

Amos Harel, o correspondente de Defesa do Haaretz que conduziu a entrevista original com Gantz, disse pensar que as interpretações de desunião entre o premiê e o general eram exageradas. "Da perspectiva israelense, parece que esse tipo de análise é um pouco desmesurada e não suficientemente sensível às nuances do debate em Israel", escreveu Harel em um artigo.

AFP
Premiê de Israel, Benjamin Netanyahu (D), é visto ao lado do chefe militar Benny Gantz durante cerimônia do Dia da Memória em cemitério de Jerusalém (25/4)
Vários especialistas em política israelense e em relações internacionais notaram que os comentários de Gantz foram feitos em sua primeira rodada de grandes entrevistas desde que assumiu a Força de Defesa de Israel há 15 meses, sugerindo que, talvez, ele ainda não tem a prática de seus superiores em fazer declarações públicas.

“Ele é um cara cauteloso, não faz muita política - então, talvez, ele disse isso mas não foi para valer", afirmou Efraim Inbar, diretor do instituto de questões estratégicas BESA, na Universidade Bar Ilan.

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